sexta-feira, 24 de junho de 2011

Criaturas fantásticas de Ray Harryhausen


Tá aqui um artigo eu queria publicar desde a época do Análise de Cena, mas deixei muitas... oportunidades pra lá por pura preguicinha. Esta semana, contudo, resolvi expremer o máximo de boa vontade e sabedoria einsteiniana de minhas barbas ruivas (que raspei ontem) para vos agraciar a vista com belas criaturas.
Não. Não vou colocar fotos de mulheres bonitas e suculentas aqui hoje. Talvez um dia quando eu perder um pouco mais de auto-respeito.
Digo ‘criaturas’ no sentido mais primitivo-literal-fantasioso da palavra. O ‘belas’ você toma no sentido relativo que quiser, mesmo.

Há muito tempo atrás, bem antes dos efeitos em computação gráfica e bem depois da Hebe Camargo, havia a técnica de animação em stop motion, que consistia em fotografar determinadas imagens estáticas quadro à quadro para, a partir daí, criar uma animação.
Essa técnica está presente no cinema desde os primórdios de sua criação e, apesar da evolução dos efeitos visuais e do advento dos efeitos em CGI, o stop motion nunca ‘saiu de moda’. Prova disso são alguns filmes de sucesso que ainda utilizam tal técnica, como Fuga das Galinhas, O Fantástico Senhor Raposo, James e o Pêssego Gigante, O Estranho Mundo de Jack, Coraline, A Noiva Cadáver, etc. Aliás, com excessão dos dois primeiros citados, todos esses filmes, de uma forma ou de outra, de Tim Burton, que é um grande fã de Ray harryhausen. E não é só ele. Vários grandes nomes do cinema tem no mestre uma grande fonte de inspiração.

Harryhausen não foi o pioneiro, mas foi o cara quem aprimorou e revolucionou o stop motion, tendo se tornado seu maior ícone. Seu nome é até hoje diretamente relacionado à técnica.

À seguir mostrarei uma espécie de portfólio não-autorizado do coroa, com algumas das criaturas cinematográficas desenvolvidas por ele em... Em quê mesmo?... Ah, Sim! Stop motion.

O... Dragão


Ok, esse personagem não tem nome, mas ele é interessante mesmo assim. O dragão presente no filme Simbad e a Princesa (The 7th Voyage of Sinbad - 1958) habita a ilha de Colossus, onde Simbad vai parar de gaiato. O bichão é uma espécie de cachorrinho de Sokurah (não Sakura), um mágico pilantra que pentelha o herói durante o filme todo.
O dragão sem nome não aparece muito tempo na fita, mas protagoniza belas cenas, incluindo a melhor delas quando luta com o monstro Cíclope, de quem falarei mais adiante.
Mas o melhor desse dragão é que ele parece ter tido aulas de como soltar fogo pela boca com o Bowser do primeiro jogo do Mario (esse mesmo que você perguntou):


Ou estaria eu imaginando coisas???

Kraken


O lendário monstro dos mares destruidor de lares (não era pra rimar) dá as caras no ótimo filme Fúria de Titãs, de 1981, e adora destruir uma cidadela aqui e outra ali nas horas de tédio. Principalmente quando seu chefe Poseidon o libera pra gandaia, à mando, por sua vez, de Zeus. “RELEASE THE KRAKEN!!!” É, essa frase tem mais efeito na voz do Lian Neelson.
Admitamos que os Krakens de filmes como o Fúria de Titãs de 2010 e Piratas do Caribe, por exemplo, são muito mais bem desenhados e amedrontadores, mas não tem nem um pouco do charme desta criação em stop motion de Ray, que eu particularmente prefiro de looooonge.

O poderoso Joe


O original dos anos quarenta, não aquela bobagem da Disney. Quando o filme King Kong foi lançado nos cinemas em 1933, Harryhausen tinha apenas 13 anos e ficou absolutamente embasbacado pelo que viu nas telonas. Em casa, o garoto chegou pra mãe e disse “Mãe, quando crescer eu quero ser um criador de monstros gigantes!” No que a mãe respondeu: “Ok, filho. Mas não vá se sujar e volte antes do jantar.”
Mais de dez anos depois, o jovem Ray estava trabalhando no filme Mighty Joe Young com ninguém menos que Willis O’Brien, o criador dos efeitos especiais de King Kong!
Apesar de O’Brien levar os créditos pelos efeitos nesse filme, foi Harryhausen que criou mais de noventa por cento da animação do gorila Joe, já demostrando seu enorme talento na área.
Anotem aí, pessoal: Mighty Joe Young (não sei se tem um título no Brasil) de 1949 é um filme maravilhoso e com conteúdo que merece ser tido muito mais do que como um mero “genérico do King Kong”.
E mais uma vez: Esqueçam o remake feito pela Disney!! ESQUEÇAM!!!

Centauro


O Centauro presente em A Nova Viagem de Simbad (The Golden Voyage of Sinbad – 1974), além de possuir inexplicávelmente um olho só, tem proporções cavalares (obviamente?) e uma incrível pinta de galeroso: Corrente no pescoço, cabelo desgrenhado e um pau na mão. Talvez por isso tenha dado tanto trabalho pra todo mundo no filme, tendo sequestrado a princesa, tentado matar os heróis do filme e entrando no fight até com um Griffon (outro ser mitologico metade leão metade águia).
Esse filme tês várias criaturas legais, como a deusa da mitologia hindú Kali, o Griffon, etc. Mas quer saber qual é a melhor coisa dele??


Mas essa não foi o Harryhausen que fez. Próximo.

O troglodita


Taí um monstro inofensivo. Apesar de parecer durão, o Troglodita é gente fina. É mais feio que a minha avó, mas é gente fina. O ancestral remanescete do ser humano é encontrado por Simbad e sua tripulação na ilha de Hyberbória, e ajuda os aventureiros a encontrarem o templo que fará com que o principe Kassim retome sua forma humana, já que foi transformado em um babuíno pela bruxa Zenobia.
Simbad e o Olho do Tigre, que fecha a trilogia de filmes sobre o marinheiro, não fez tanto sucesso quanto seus dois antecessores, mas eu o considero o melhor dos três.

O Octopus gigante


... Que tem o nome mais mentiroso do mundo, pois tem apenas seis tentáculos e não oito! Limitações orçamentais a gente vê por aqui.

Este foi um dos primeiros trabalhos de Harryhausen e está presente no ótimo filme O Monstro do Mar Revolto (It Came From Beneath the Sea – 1955).
Na película, o molusco gigante é despertado de seu estado de suspensão no fundo do mar por testes com bombas atômicas (algo que acontecia muuuuito no cinema de ficção dos anos 50), e então começa a  causar pavor e destruíção na cidade de São Francisco, enquanto os cientistas procuram descobrir um método para destruí-lo. Filme de grande sucesso dirigido por Robert Gordon.
No dvd duplo desse filme tem uma longa e bem legal entrevista que Tim Burton fez com Harryhausen em sua casa. Vale a pena adquirir.

Caveiras muito doidas



A cenas do surgimento e de lutas do exército de esqueletos do filme Jasão e Os Argonautas, de 1963 (o favorito de Harryhausen), são consideradas até hoje como uma das maiores sequencias cinematográficas do século passado no quesito efeitos visuais.
Os esqueletos brotam do chão para enfrentar Jasão e sua trupe quando o rancoroso rei Eetes da Colóquia semeia o solo com os dentes arrancados de uma Hidra (Outra criatura bem legal, mas que não vou citar aqui porque... porque não).
Se repararmos bem, há uma suposta homenagem aos filmes anteriores de Ray nos esqueletos, pois seus escudos são adornados com outras criaturas do mestre, como o Ymir (falarei mais adiante) e o Octopus (já falei).

Bubo


Bubo é uma adorável coruja de metal mascote do filme Fúria de Titãs. Zeus queria ajudar seu filho Perseo a cumprir sua missão e pensou “Uma coruja deve resolver tudo!”, então ordenou que sua filha Athena enviasse seu pássaro de estimação para orientar o filhão. Mas Athena, sendo uma mãe muito “coruja” (hehe, ai, ai...) manda os ferreiros do Olimpo (é) contruírem uma ave semelhante à sua para Perseo, para assim manter seu pet protegido.
Bubo fica girando a cabeça em 360 e mudando o formato dos olhos, e também faz barulhos engraçados de relógio e brinquedos de corda. Um bicho muito bem bolado!

Rhedosauro


Um dos meus favoritos. O Rhedosauro é um monstro gigante classudo que aterroriza Nova York em O Monstro do Mar (The Creature From 20.000 Fathoms – 1953), um grande clássico B e um dos filmes que começaram a revelar o talento de Harryhausen para o mundo.
Aqui, um  ser jurássico é despertado no Ártico após testes nucleares no local (eu não disse?). A partir daí, o lagartão segue viagem rumo à costa Norte-Americana para fazer uma boquinha por lá.
Apesar de seu baixo orçamento, este filme foi sucesso de bilheteria na época, influenciando muita gente. Querem a maior prova disso??


Pois é. O Rhedosauro foi o grande inspirador para a criação do filme Gojira/Godzilla, logo no ano seguinte. Os japoneses ficaram loucos pela inovadora técnica de stop motion de Harryhausen e decidiram criar seu próprio monstro gigante no mesmo estilo. Porém não acharam ninguém à altura de Ray e tiveram que colocar um homem fantasiado para interpretar o gigantão, mesmo. Acabou ficando legal mesmo assim.

O Cíclope


Monstrão sinistro que aparece no filme Simbad e a Princesa. Os cíclopes são seres que habitam a ilha de Colossus, tem pernas de bode e um olho e um chifre apenas. Violentíssimos, eles roubam tesouros dos visitantes e os guardam em suas cavernas.
Tem uma cena hilária nesse filme, quando um cíclope amarra um marinheiro da tripulação de Simbad em um espeto e começa a fazer churrasquinho do cara vivo, puxando até um banquinho para sentar-se enquanto gira seu futuro alimento perto do fogo!
Outra cena supimpa é a já citada na qual o bichão trava um combate mortal com aquele dragão que mostrei logo no ínicio. Quem leva a melhor na luta??? Huuummmm... Num seeeeeeiiiii...

Moon Bull e Moon Cow


Que significa respectivamente, caso você tenha gazetado essa aula de inglês pra fumar crack (quem nunca?), “Boi da Lua” e “Vaca da Lua” (WTF??). Essa denominação foi dada pelo amalucado cientísta Cavor, que ingenuamente achou que eram herbívoros inofensivos.
Esses insetões gigantes habitam os subterrâneos da Lua, e parecem ser os inimigos naturais dos Selenitas, outra raça de alienígenas meio formigas que também residem no satelite.
Os Primeiros Homens na Lua (de 1964, e baseado na obra de H. G. Wells), apesar de meio retardado, é um filme ótimo e divertido, que não fez tanto sucesso quando lançado e deveria ter seu valor reconhecido.

Talos


Em Jasão e os Argonautas, Talos é uma estátua gigante de bronze que protege o tesouro da ilha de... Bronze, onde Jasão e sua tripulação fazem um pit-stop durante sua jornada à procura do Velo de Ouro, a pele de um cordeiro divíno que tem o poder da cura.
Talos desperta furioso quando dois argonautas malandruchos passam a mão em seu tesouro. O único meio de derrotá-lo é destravando uma “rosca” que fica na parte de trás de seu pé, fazendo jorrar toda sua energia. Sendo seu ponto fraco o calcanhar, ele é meio que uma espécie de Aquiles metálico, gigante e não-gay.
Alguns anos atrás uma revista inglesa (dessas que adoram fazer listas inúteis) elegeu o Talos como o segundo maior monstro gigante do cinema, perdendo apenas pro King Kong. Huuummmmmm.... Ééééééhhhnnnnn....
Exageros à parte, ótima criação também, como não poderia deixar de ser.




E por ultimo mas não menos importante...

... O Ymir!


A criatura favorita da maioria dos fãs de Ray Harryhausen, o Ymir pertence ao filme A 20 Milhões de Milhas da Terra (20 Million Miles to Earth – 1957), um grande clássico do cinema de fantasia onde os produtores possuíam um orçamento mais generoso que o de costume nos quais Ray participara antes, proporcionando maior qualidade ao trabalho. Prova disso é que, além dos efeitos em stop motion na criacão do monstro, o filme também utilizou a técnica Dynamation (não foi o único nesse post), sistema ultra-moderno na época que coloca atores reais contracenando com o monstro sem aquela aparência de falsa sobreposição, deixando o visual perfeito (bem... Mais ou menos, né...).


Ymir é uma criatura de Vênus trazida por acidente na primeira espaçonave à fazer uma espedição ao planeta. No início, o bicho é apenas um monstrinho do tamanho de uma boneca Barbie (que ele não me ouça dizendo isso), mas o ambiente da Terra o faz aumentar de tamanho no decorrer do filme, até que no climax ele já está com proporções dantescas e pronto para destruir o Coliseu!
Existem muitas cenas antológicas nesse filme, como quando Ymir enfrenta um elefante (também feito em stop motion para as cenas de luta) no meio da rua.


Só pra constar, eu deixei de citar muita gente boa aqui, como o Minotauro e os espectros de Simbad e o olho do Tigre, a Medusa de Fúria de Titãs, os animais anabolizados de Mysterious Island e Os Três Mundos de Gulliver, e os dinossauros de The Animal World, dentre outros, mas imagino que você já esteja saturado e nauseado de ver tanto bicho feio, não?? Pois é, eu também. Por isso agora vou passar por uma massagem tailandesa e depois assistir Ciro Bottini no Shoptime com o travesseiro entre as pernas.
E sugiro que você faça EXATAMENTE o mesmo se quiser sair dessa bad trip!

Absssssssssssssssssss

10 comentários:

  1. Sempre mais gostoso ver esses "monstrinhos" feito com talento de um ser humano!!
    Muito belo seu blog!

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  2. Curioso é que o Ymir é um gigante do gelo ...

    E cara nunca vou esquecer as caveirinhas do Jasão e os Argonautas^^

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  3. Valew por ter gostado do blog, Bette! Volte sempre!

    Então Lance, é verdade mesmo. Mas no filme, em momento nenhum o monstro é chamado de Ymir. Essa denominação foi dada à ele "por fora", digamos assim.

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  4. Blog legal dude! Amei seu jeito de escrever, e seus artigos são bem criativos.
    Você parece ser um sujeito bem intelectual para ja ter visto tantos clássicos do cinema.

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  5. Tank you, Kelvin! "intelectual"? Hehe, valew, mas acho q sou mais um curioso por tudo que fica baixando coisas indiscrimidamente internet adentro! XP

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  6. Eu tow criando coragem pra escrever a caralhada q tenho pra escrever pro meu novo post...
    Mas enfim.

    Nossa, bem lembrado, a Caroline Munro estava de lamber os beiços no Sinbad (e no 007 tb), ela faz todos os monstros serem ignorados...

    O primeiro Tomb Raider tem uma homenagem a Harryrausen pq o desenvolvedor do jogo era fã do trabalho dele, e depois repetiu a homenagem no quarto jogo, tinha um monstro muito parecido com o Talos, há uma dedicatória ao Ray H. nos créditos finais (só não me lembro de qual dos jogos)

    Post bacana, cara, mantendo a qualidade, deve ter dado trabalho XD.

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  7. Valews Márcio! Deu trabalho mais ou menos, pois tive q baixar alguns filmes q não tinha visto ainda (First Men On The Moon e o Mysterious Island, esse que acabei nem usando).
    Não sabia dessa parada o Tomb Raider, vou dar uma averiguada.
    E a Caroline Munro é ú-lala, mesmo!

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  8. Olá Bruno!
    Opa eu conheço esse filme da Ingrid Pitt! Tive conhecinento dele através do livro Goth Chic. Apesar de usar a imagem da condessa em ficção ficou bem interessante. Eu já pensei em usar a condessa de Báthory em uma história original minha =)

    Agora eu simplesmente adorei esse seu post1 Deu até vontade de assistir esses filmes antigos de novo! Nossa, as caveiras do Jazão são as melhores na minha opinião...mas a Medusa do Fúria de Titãs é de meter medo!

    O Ymir é um mascote, nem vale á pena falar dele, é querido por todos rs...os insetos gigantes de Primeiros Homens da Lua é um clássico e o Centauro parece ter uma pegada de visual com a banda T.Rex ahsahhs.

    bjs
    http://www.empadinhafrita.blogspot.com

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  9. Ei Tsu, eu procurei umas imagens da banda T.Rex e realmente lembra bastante, huahua!
    Que bom q gostou do post. A Medusa é sinistra mesmo. Só não coloquei ela aqui pq já tinha citado 2 personagens de Fúria de Titãs (Kraken e Bubo), mas se fosse colocar mais um na lista, seria ela! bj

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  10. Muito interessante esse seu texto. Deu até vontade de ir atrás de alguns desses filmes para conferir como foram usadas essas criaturas.

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