domingo, 12 de maio de 2013

Furo MTV 2013; Uma resenha retardatária


Queria ter feito essa resenha do novo formato do Furo logo quando estreou lá em março, dando minhas rápidas primeiras impressões, previsões e pitacos sobre o humorístico. Mas como esse blog é praticamente 90% sobre cinema e televisão, e como o Furo é meu programa de humor nacional favorito e uma das minhas principais influências no humor (risos) não posso deixar de dizer o que achei mesmo com esse delay de alguns meses. Adicione à tudo isso o fato do Prunosland ser atemporal e tá tudo em casa.
Bom, como talvez já tenha dado pra perceber, sou um grande fã do programa. Acompanho o tal desde sua estréia em 2009 D.C., assistindo-o cristianicamente de segunda a quinta ao chegar em casa após um dia exausto na lavoura cortando cana. Mas eis que na transição do ano passado para este houve uma grande reformulação na grade da MTV, com nomes de peso como Marcelo Adnet (foi pra Globo, vamos rir dele agora por outros motivos), Tatá Werneck, e a própria Dani Calabresa saindo da casa. Se isso se deu pelos boatos de crise na emissora ou não, eu não sei. Mas a mesma teve que se virar bonito para recauchutar o seu programa carro-chefe após a saída de Dani - pois convenhamos, há muito tempo o ponto forte da MTV é o humor e não mais a música, então nem me venham encher o saco escrotal com aquele papo de "ai, foi-se o tempo que a MTV era boa, mimimi" - e do roteirista Pedro HCM e manter a qualidade que perdurou tão bem por longos quatro anos, sendo um deles bissexto ainda por cima.
A ideia foi recrutar não apenas mais um parceiro para o português-nerd-galã das faxineiras Bento Ribeiro, mas sim uma trupe de vários remanescentes e novatos para darem as caras no programa das mais diversas maneiras. A escalação oficial original tinha sido Paulinho Serra, PC Siqueira, Bruno Sutter e o estreante Daniel Furlan. Luiz Thunderbird estranhamente não estava entre esses nomes, apesar de continuar na emissora e ter sido um membro (huuumm, "membro", huuumm...) quase fixo do programa ano passado, e era minha maior aposta para substituir Dani na bancada. Os novos contratados teriam a função de fazer matérias externas, como entrevistas de rua, vinhetas engraçadonhas, quadros novos e coisa e tal. Tudo gravado, em contraponto ao programa em si que esse ano passa à ser ao vivo, em uma das maiores mudanças em relação ao seu antigo formato. E é isso mesmo que vocês perceberam "or not": Ninguém de fato substituiu a esposa do imitador sobrancelhudo global na bancada, já que Bento ficou sozinho como âncora do jornal bizarro, dividindo a mesa apenas com sua consciência pesada de um passado que envolve caminhões, novelas, Cláudias Ohanas e florestas negras (associe tudo isso até fazer sentido, eu te desafio).
O cenário também sofreu  mudanças bem radicais, tendo sido eliminados quase que totalmente os laranjas berrantes em troca de tons mais frios - isso tanto no cenário em si quanto nas vinhetas - , e um design de interior mais requintado e conceituado.
Parece que todos os contratos da MTV são assinados/renovados
com esse casa. Curioso que onde trabalho também...
Aconteceu que a formação original de humoristas não permaneceu exatamente a mesma de quando começou até agora. Quer dizer, até que sim, mas com ainda mais gente nova aparecendo esporadicamente, dentre os quais finalmente Thunderbird e a novata delicinha Pathy de Jesus, pra dar o toque feminino que estava faltando. Já outros que estavam desde a reestreia passaram à dar as caras apenas periodicamente agora, como é o caso do PC Siqueira. Essa troca e divisão de turnos/dias é boa, pra dar tempo de todo mundo mostrar à que veio e não ficarem subaproveitados, além de não poluir "superpopulacionalmente" o televisivo.
O maior erro desta versão 2013 foi realmente terem deixado Bento sozinho na bancada. Por mais que eu goste do luso-humorísta, o rapaz meio que se perde sozinho, ainda mais com o programa sendo ao vivo (outro erro). Uma das principais graças do Furo eram as cortadas e alfinetadas improvisadas entre os dois apresentadores, e isso é totalmente banido no momento que deixam apenas um âncora para rebater as próprias piadas. Não acho que Dani seja tão insubstituível assim - e gosto muito dela - mas não era só colocar um dos vários novos integrantes ao lado do Bento? Fazendo um revezamento diário entre eles ficaria até melhor. A prova disso é que os momentos onde os outros participantes aparecem no programa para interagir com o apresentador são dos pontos mais fortes desta nova temporada.
"Queres um bolinho de bacalhau, ó pá?"
Outro problema que receei ainda ao ver as chamadas era que ficasse interativo demais e virasse uma espécie de "Comédia MTV disfarçado", perdendo o tom de paródia de telejornal característico e aderindo ao humor mais visual, sendo que o ponto forte do humor aqui sempre esteve o roteiro. Isso até que estão conseguindo balancear, apesar do já mencionado formato ao vivo e de certos quadros nada a ver, como Bento interagindo com adolescente babacas do lado de fora do prédio da emissora por intermédio de um dos outros participantes, fazendo perguntas sem sentido e recebendo respostas... adivinha.
Outra coisa que me incomodou bastante foi o design de produção. Por mais que eu tenha achado bonito o novo cenário e a nova identidade visual, não me desce que o símbolo de um programa que mistura humor com informação jornalística seja uma mosca. Isso não te soa bem familiar?? CQC, ora pois!!! Nunca houve tamanha falta de criatividade e "referência" beirando ao plágio assim desde a criação do herói Spawn. É, citei o Spawn em um texto sobre o Furo MTV. Bento Ribeiro approves.
Mas como nem tudo é desgosto nessas nossas vidas amargas, houve mudanças positivas no programa.   Como eu já disse, o mesmo não perdeu o tom jornalístico apesar dos novos elementos atípicos. E a colaboração de Paulinho Serra e seus personagens acrescenta e muito. Nunca fui muito fã do Sutter, mas ele cumpre seu papel direitinho. No entanto, considero o maior triunfo dessa nova empreitada a contratação de Daniel Furlan. Desconhecido das grandes mídias até então, embora já trabalhando com humor há um bom tempo, Furlan já se mostra como um grande talento do ramo e promete ser uma nova promessa | redundância detected | do meio cômico brasileiro.
Os inúmeros quadros novos, cuja renovação sempre foi uma constante do programa, dão uma irreverência à mais, principalmente quando são bem elaborados e estão dentro do contexto, como no caso do Jornal Twittal, onde se noticia absurdos e bobagens ditas por celebridades no Twitter.
Houve também a inclusão de alguns personagens esporádicos divertidos, como os vários criados por Serra e um crítico de cinema nervosinho e gay interpretado por Furlan.
O elemento principal do humor do programa, ou seja, o roteiro, apesar das mudanças de nomes no cargo ocorrida, não se deixou abalar e permanece afiado, irônico e ácido como sempre.
Confesso que não assisto com aquela mesma empolgação que assisti durante quatro anos anteriores, mas o programa está longe de parecer cansado. Torço sinceramente para que mudem de ideia sobre deixar o Bento sozinho no comando e tirem aquela mosca da parede.
O Furo pode ter perdido alguns "dapoltronas" antigos e ainda estar tentando encontrar uma linha à seguir. Resta torcer para que consiga e perdure por um bom tempo ainda, ao invés de durar apenas esse ano e ser cancelado para o próximo. Como diria Renato Russo naquela música: "O tempo dirá". Era isso que ele disse, né?


Um comentário:

  1. Oi Bruno!
    Quanto tempo, não?
    Olha, notei que perdi muitas postagens do seu blog e como sabe, gosto muito de vir aqui e ler os artigos pois além de escrever bem você me faz ter altas risadas com suas opiniões encima do que escreve. Aos poucos vou vendo todas as postagens que perdi!
    Demorou, mas eu fiz a lista do Contos de Fadas, que nós conhecemos tão bem! Ah eu citei vc no post pq tu tinha feito a postagem sobre a obra que reativou minha memória e me fez correr atrás dos capítulos para baixar. Eu fiquei em dúvida para escolher os 7 e também gosto muito da versão da Branca de Neve, João e Maria (medo desse kkk). Acabei dando créditos para A Bela Adormecida por conta do Cristhoper Reeve. Confesso que me deu um aperto no peito quando o vi e lembrei do destinmo trágico que ele teve.
    Poxa é memso! Muito obrigada pela correção sobre o Cristopher Lee! É que todos os filmes que vi dele era sempre vilão e lembro que uma vez o convidaram para ser o Dumbledore em Harry Potter e ele recusou por preferir fazer vilões.
    bjs!!!

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