domingo, 14 de julho de 2013

Série darrantiga: O Túnel do Tempo


Criada pelo produtor de cinema-catastrofe  e tv Irwin Allen (uma espécie de Michael Bay mais refinado), O Túnel do Tempo foi uma de suas séries de tv mais famosas (Viajem ao Fundo do Mar, Perdidos no Espaço e Terra de Gigantes foram algumas das outras), durando de 1966 à 1967, totalizando 30 episódios de mais ou menos 52 minutos cada.
A equipe de inúteis cientistas que, entre uma partida de
Counter Strike e outra, tenta trazer Tony e Doug de volta
A série conta a história de dois cientistas - Tony Newman (James Darren) e Doug Philips (Robert Colbert) que trabalham num daqueles projetos super secretos do governo americano que tem sempre 143% de chances de dar merda. Projeto este chamado de Tic Toc, que tem menos a ver com um crocodilo barulhento cuja fixação gastronômica pelo Capitão Gancho desafiava os limites da psicanálise do que com a criação de um túnel do tempo onde as pessoas possam viajar pelo mesmo localizado no subsolo do deserto do Arizona .
Para provar para um senador do governo que o projeto tem futuro (no trocadilhos) e que não devem cancelar sua verba, Tony entra no túnel sem permissão logo no início do primeiro episódio. Eis que a equipe de cientistas fica meio apavorada com a situação, já que o tal portal do tempo não está aperfeiçoado. Assim, seu parceiro Doug também entra no túnel para ajudar o amigo, que à essas alturas foi parar em um navio no início do século, o que não seria tão perigoso de tal navio não se chamasse Titanic. Como já mencionado, o funcionamento do túnel não estava aperfeiçoado, logo a equipe encabeçada pelo General Kirk (Whit Bessel, veterano em séries e filmes do gênero), Dra. Ann (a bela Lee Meriwether, ex miss EUA e eterna Mulher Gato no filme do Batman dos anos 60) e Dr. Raymond (não sei nada de interessante sobre ele) tem que fazer de tudo para trazê-los de volta,  ou pelo menos deslocá-los para outra época para livrá-los do perigo iminente.

E assim, durante a série inteira, Doug e Tony se aventuram por diversas épocas do passado e do futuro, cada episódio são mandandos para um lugar diferente no tempo, já que a equipe nunca consegue trazê-los de volta. O curioso é que, por mais aleatório que seja seu destino, nossos heróis SEMPRE vão parar em algum acontecimento histórico importante - como no meio de alguma guerra famosa ou mesmo um evento bíblico - ou em uma situação que os deixem no mais extremo perigo. Eles nunca caem em um local de boa onde possam descansar, dormir, fazer suas necessidades e trocar de roupa, coisas essas, aliás, que nunca os vemos fazer durante os trinta episódios, provando que Jack Bauer não o pioneiro no teste de resistência humana extrema (tampouco o Big Brother). Mesmo a já mencionada equipe que os monitora e os transfere parece nunca descansar ou ir pra casa. Deus me livre. Coisa de série dos anos sessenta.
Mas apesar desses furos e absurdos e de alguns episódios meia-boca, O Túnel do Tempo ganha em aguçar nosso interesse pela história mundial. Cada evento mostrado em um episódio nos faz querer conhecer mais a história mostrada ali. E os personagens, ainda que nada ambíguos, nos cativam e nos fazem torcer por eles, mesmo sabendo que as chaces deles se ferrarem são as mesmas do projeto secreto de dar merda só que invertidas.

A série tinha tudo para dar certo. Irwin Allen estava no auge com seu suas famosas Perdidos no Espaço e Viagem ao Fundo do Mar, ambas ainda em exibição na época. Mesmo assim, o programa foi cancelado abruptamente apenas um ano após seu início, nunca chegando a um fim. Isso mesmo, Doug e Tony nunca voltam pra casa. Então não assistam a série esperando pelo final. E muito menos deixem de fazê-lo por este motivo.
Exibida no Brasil nos anos setenta e oitenta, a série teve enorme sucesso por aqui. Pergunte para um coroa nerd se você achar um na rua. Também parece que tem um box de DVDs rolando por aí, mas você pode achar todos os episódios na net, tanto dublados quanto com áudio original. Baixei nas duas versões e assisti a dublada, me julguem e condenem. Geralmente prefiro do outro modo, mas não resisto à dublagem nostálgica das séries daquela época (como se eu fosse vivo lá).



Alguns episódios de destaque:


Volta ao passado

Propaganda enganosa, esse episódio nem era em preto e branco
O já mencionado piloto da série, onde o emocional Tony entra no túnel e vai parar coincidentemente no Titanic. Seu parça Doug, sempre mais racional, vai em seguida para auxiliá-lo. Além de tentar convencer o capitão de que o navio vai dar de cara num iceberg e ir direto para a terra do Bob Esponja, Tony conhece uma moça solitária que misteriosamente não faz questão de ser salva mesmo quando o navio já está afundando. Episódio notável não só por ter um dos roteiros mais enxutos, como por ser um dos poucos em que Tony e Doug aparecem na base da Tic Toc, ainda que no início, já que após isso eles passam o tempo inteiro viajando pela história. Leonardo Dicaprio e Kate Winslet estranhamente não participam do episódio.

O fim do mundo



Doug e Tony vão parar no ano de 1910 próximos a uma mina que acabou de desmoronar e soterrar alguns trabalhadores em uma pequena cidade dos EUA. Para completar, os moradores da cidade não estão muito afim de ajudar os homem presos na mina, já que a passagem do cometa Halley faz todos pensarem que o mundo está próximo do fim. Um episódio interessante que foca bastante no elemento do dilema humano, onde alguns personagens mostram o pior e o melhor de si, revelando que atitudes o medo pode gerar nas pessoas (falei beautiful). Há também uma passagem interessante onde Tony é transportando para um local próximo à sede da Tic Toc dez anoa antes de seu tempo real e dá de cara com Doug, que já trabalhava lá e não o conhecia na época. Ainda que inútil, ótima e tensa cena.

O dia em que o céu desabou


"Onde estamos agora, Doug?" "Só os loucos sabem"
Um dos episódios favoritos entre os fãs. nossos heróis viajantes vão parar em plena segunda guerra dentro do consulado japonês, onde ouvem o plano dos ancestrais do Jaspion de atacar a base naval (nem vou comentar as não-chances disso acontecer). Escapando dali, os dois se encontram com o pai de Tony, oficial do exército americano cujo paradeiro permanecia um mistério para este. Após um tocante encontro com seu papi e consigo mesmo quando criança, Tony acompanhado de seu inseparável camarada não conseguem impedir o ataque japonês, mas solucionam o mistério do desaparecimento do pai de Tony e dão uns cacetes em alguns japocas.

A morte é um jogo



Talvez meu episódio favorito. E dos vários episódios que se passam durante a Segunda Guerra Mundial, o melhor deles. Também talvez o único em que Tony e Doug não caem em um evento histórico importante, mas sim em uma isolada ilha do pacífico em 1945. O problema é que os heróis dão de cara com o problemático tenente Nakamura, um misterioso e insano habitante do local. Nakamura, acompanhado de seu assistente idoso e meio xarope das ideias, faz ambos de reféns e promete matá-los simplesmente por prazer, mas não antes de fazer jogos cruéis com eles, como fazê-los lutar entre si e participar de uma caçada humana pela ilha. Após um tempo, a equipe do túnel descobre que Nakamura não é tenete coisa nenhuma e esconde um grande segredo. O episódio mais psicológico de todos, e a atuação magistral de Mako como Nakamura torna o personagem memorável. Esse episódio ficou na minha mente durante um bom tempo.

Perseguição pelo tempo



DINOSSAUROS!! Coisa que eu não esperava ver na série. Esse disputa com "A morte é um jogo" o posto de meu episódio favorito. Um sabotador do tunel chamado Nimon (interpretado por ninguém menos que Robert Duval) mata um dos cientistas, instala uma bomba no local e entra no tunel. Doug e Tony recebem a missão de encontrar o sujeito e fazê-lo revelar onde está o explosivo antes que seja tarde. O curioso é que este episódio não se passa apenas em um ambiente, mas em pelo menos três, começando no Grand Canyon, indo para o futuro milhões de anos onde a humanidade vive como formigas operárias e voltando ao passado a mesma quantidade de anos, onde nossos heróis se deparam com criaturas pré-históricas. Além de Nimon ser um dos melhores vilões, é bem curioso o processo de criação dos dinossauros, que nada mais são do que um jacaré e um dragão de comodo adornados (demorei alguns minutos pra me tocar disso!), mostrando que a criatividade sempre se sobresai diante da falta de recursos. No fim, ainda nos deparamos com uma colmeia de abelhas gigantes, às quais não vemos mas ouvimos a aproximação, mostrando que o medo reside na imaginação. Um episódio extremamente inspirado.



Abaixo, um trailer da série para entrar no clima e talz:


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