segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Filmes escandinávos que assisti em dezembro #3 (final)


Demorei mas taí. Esse é o terceiro e ultimo post da "trilogia escandinava" (putz) que comecei há três anos atás. Isso mesmo, a partir de agora chega dessa palhaçada de ficar fazendo maratonas solitárias e virgens de filmes nórdicos todo mês de dezembro. Agora vou assisti-los quando me der na telha. E como diria um amigo meu ativista do Greenpeace, chega de rodeios! Vamos à cada vez menor lista de filmes.

Ah! Caso você esteja interessado em ver as partes #1 e #2, elas estão aqui e aqui.


Adams Aebler


O primeiro que vi e e sem dúvida o mais badassmotherfucker (sim, eu sei, esse termo é muito 2009). Adam é um neo-nazista sentenciado a cumprir serviço comunitário em uma igreja no interior. Sob a tutela do padre Ivan, um fanático religioso que tem vários parafusos a menos, Ivan tem que se adaptar à realidade do local, onde também é obrigado à conviver com uma esquizofrênica gravida de um bebê provavelmente deficiente, um ex-tenista alcoólatra e cleptomaníaco e um paquistanês radical que acredita ser um Robin-Hood moderno.
Adam, como parte de sua regeneração social, aceita o aparentemente simples desafio de fazer uma torta de maçã, algo que se torna cada vez mais difícil de ser concretizado, já que os corvos e vermes no local estão destruindo a macieira que ele teria como fonte da matéria-prima de seu projeto culinário.
Adam Aebler - Ou Adam'a Apple, ou ainda Entre o Bem e o Mal (ai esses tradutores brasileiros tão criativos... Me admira o filme não se chamar "Um neo-nazi muito louco") - é uma comédia de humor negro que pões em pauta o tema religião em conflito com o humano. Entre cenas realmente hilárias, temos discussões filosóficas com várias referências à Bíblia (em especial ao Livro de Jó) como a maçã e o corvo. O roteiro do filme é um primor, destaque à parte.
Anders Thomas Jenser é um fodão do cinema dinamarquês, e já dirigiu e roteirizou filmes aclamados dentro e fora de seu país, sendo este projeto de 2005 um ponto alto em sua carreira. O filmes também conta com nomes forte do cinema local, como Ulrich Tolsen, Mads Mikkelsen e Paprika Steen.


Frit Fald


Levando em conta que, na sinceridade com vosmicês, eu baixei esse filme tendo como principal motivo o fato de uma das minhas musas loiras estar nele - no caso, Molly Blixt Egelind (pra descobrir que ela só aparece uns 20 segundos no filme, de longe e desfocada como uma garçonete de um café no shopping) - este foi um dos que mais me agradou.
Louise é uma adolescente indisciplinada e com um certo grau de rebeldia, mas que guarda uma certa melancolia pela ausência da mãe, Susan, uma até então presidiária.
Acontece que Susan é liberta e Louise tem que conviver com os conflitos gerados pela sua insistência de ter um convívio com a mãe ao mesmo tempo que tenta manter o clima minimamente pacífico em sua casa, pois agora convive com os avós que não se dão nada bem com a ex presidiária e a consideram uma péssima influencia para a própria filha.
Com um clima o tempo todo melancólico, acentuado pela paleta de cores fria e cinza que o permeia, Frit Fald é um drama familiar que não soa nada brega. A edição estilizada e jovem do longa contrasta de maneira harmônica com a tensão e o ambiente solitário e desesperançoso do filme.
Ponto para as duas protagonistas, a veterana Anne Sofie Espersen e a novata Frederikke Dahl Hansen, que, apesar de provavelmente sofrer bulling por ter nome de homem, é uma grande promessa cinematográfica por aquelas bandas dinamarquesas.
O filme tem o título inglês de Rebouce, e eu não faço ideia do qual ou se é que tem um nome em português.

Volcano



Esse é o famosos (menas) filme que inspirou o cultuado e oscarizado francês Amor. "Inspirou" é bondade minha, pois ao ver esse longa eu tive a impressão de que o longa de 2012 nada amis é que um plágio deste aqui. Palavra forte? Pode ser, mas eu fiquei meio confuso sobre os limites da inspiração em relação à cópia.
Ora, ambos os filmes tem exatamente o mesmo enredo: Um casal idoso é abatido com a doença terminal da mulher e o marido se vê obrigado a cuidar da esposa inválida ao longo do filme. Claro que há diferenças, como a personalidade do protagonista ser totalmente diferente e o fato de haverem amis personagens na trama.
O filme Paranoia, por exemplo, é (ou tenta ser) bem mais diferente de sua obra inspiradora Janela Indiscreta do HItchcock do que os aqui em questão, e mesmo assim a Dreamworks sofreu acusações de plágio. Mas deixa quieto. Independente de qualquer coisa, Volcano é uma bela e profunda análise sobre a vida, os percalços do amor e dura realidade do triste e inevitável fim também conhecido como morte.
Tudo isso transpassado para nós através do ponto de vista do protagonista Hannes, interpretado com uma performance angustiante e ultra realista do veterano Theodór Julíusson.


Ofelas



Pra ser sincero, acabou o filme e eu não descobri o que significa Ofelas, só sei que o título em português-Br do longa é 'Fugindo da Morte'. Aff, depois que a Band colocou o subtítulo de Breaking Bad como "A Química do Mal" eu não me surpreendo mais com nada.
Bom,  Pathfinder (E esse é o título em inglês) se passa lá pelo ano de 1000 depois de Cristo em um cenário sangrento ao norte da Noruega. Aqui encontramos Aigin, aqui apenas um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones, mas que tem sua família inteira assassinada brutalmente pelos cruéis Tjuder, um grupo de selvagens que andam por aí saqueando vilas e passando a navalha em todo mundo. Ao escapar dos algozes de sua família, Aigin vai parar em um vilarejo pacato, com a extrema boa vontade do povo local, trama sua vingança contra os caras maus.
Com essa trama rasinha, rasinha, Ofelas consegue se tornar um divertido e empolgante filme de ação, aventura e vingança. Eu diria que seria uma espécie de Karatê Kid escandinavo tirando toda a viadagem do Daniel Larusso, exceto que este aqui é um filme bem violento, não poupando crianças nem animais nem mulheres.
A decisão do pacato vilarejo em aceitar ajudar um mero estralho a enfrentar os vilões pondo em risco a vida de todos é meio inverossímil, mas isso não basta para estragar a peça inteira e deixá-la de se tornar um micro-cult dos anos 80.

Bitch Hug


Eu não tinha outra expectativa senão a de um filme sobre conflitos adolescentes bobos. Bom, e é isso mesmo, mas quem não curte um dramalhão juvenil quando é bem feito? Bitch Hug (ou Bitchkram se você não quiser fazer feio quando for à Suécia) se trata de uma bela e sentimental peça sobre a amizade de duas garotas, no caso Kristin (A loira do poster) e Andrea (Faça as contas), passando por fases delicadas de sua transição para a vida adulta. Kristin é uma jovem enfezada, dramalhona e ambiciosa agarrada à oportunidade única de se tornar colunista de uma revista em Nova Iorque, enquanto Andrea, introspectiva e enigmática, tentar se encontrar após perder os pais em um acidente e ter que levar a vida apenas com o apoio dos irmãos.
Quando ambas se conhecem acidentalmente e Kristin perde o vôo por culpa da nova conhecida e se esconde em sua casa para não revelar à ninguém que não está ainda em Nova Iorque, as duas são obrigadas a conviverem e terem que lidar com todos os lados uma da outra, desenvolvendo um sentimento que nunca sentiram até então (Nada lésbico para a infelicidade de """""alguns"""""").
Bitch Hug é uma obra sensível e bem costurada, capaz de trabalhar muito bem personagens principais e secundários e emocionar em vários momentos. As semi-novatas Fanny Ketter e Linda Molin, assim como o jovem diretor Andreas Öhman tem brilhante futuro cinematográfico pela frente se por este caminho ousarem seguir.



Comrade Pedersen


Ambientado na Noruega setentista dominada pelo Marxismo e Lenismo, este filme nos conta, pelo ponto de vista de seu próprio protagonista, a história de Knut Pedersen, jovem professor que passa à morar em uma pequena cidade industrial da Noruega, onde é intorduzido ao comunismo por um de seus alunos. 
Após conhecer a estonteante ativista política Nina (vivida pela bela e carismática Ane Dahl Torp), Pedersen ingressa de vez no movimento dessa galera que dormia com uma foto do Mao Tse embaixo do travesseiro e fumava maconha pra caralho (ai,ai, esse caras, rapaz...). 
E claro que rola um affair tórrido entre os dois, ao passo que acompanhamos a decadência familiar e profissional de Pedersen paralelamente à decadência daquele movimento baseado no comunismo soviético e chinês. 
Tendo como base o livro "Gymnaslærer Pedersens beretning om den store politiske vekkelsen som har gjemsøkt vårt landon" (sério, esse é o nome do livro e não um trecho dele) de Dag Solstad, famoso e cultuado escritor, o longa é acusado por alguns de pecar na transição da novela para a mídia audio-visual (quem nunca), mas considero um belo e divertido filme que não deixa a peteca cair mesmo quando parece que isso vai acontecer. Há momentos realmente empolgantes, engraçados e melancólicos ao longo da trama que à fazem valer à pena.

Então é isso, espero que tenham gostado e/ou se interessado. Dessa vez só coloquei seis filmes dos que assisti. Claro que vi mais, mas alguns foram meia boca e outros não me interessava escrever nada sobre. Mas destacam-se dentre os que ficaram de fora A Substituta (Vikaren, 2007), Masjavlar (2004, o filme da primeira imagem do post) e Thale (2012).

And that's all bitch! Perdoem os erros ortográficos e o excesso de parênteses (uso muito) e não desistam de mim. A gente se vê logo menos. Abssssssssssssssss


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