terça-feira, 26 de julho de 2011

Edgar Allan Poe: Esse escritor louco e suas peripécias malucas


Noooooosssssaaa (que nem aquele cara do Pânico)! Como fazia tempo que eu não escrevia nada! É o business, galera. Como vocês vão?
Como sou um grande fã do horror em geral, tava afim faz tempo de escrever alguma coisa sobre o Edgar. Aliás, essa ilustração aí acima fui eu que fiz. É, tá meia boca, mas fiquei com preguiça de trabalhar mais nela.

Um Breve Histórico

Edgar Allan Poe nasceu em Boston em janeiro de 1809, e é uma das maiores personalidades da literatura de horror de todos os tempos, tendo influenciado uma grande gama de escritores importantes, como Charles Baudelaire, H.P. Lovecraft, Clive Barker, Stephen King e Geyse Arruda.
Nascido em Boston (cidade de nome perigoso) lá por 1809, Allan Poe foi adotado pelo casal de ricaços John Allan e Frances Keeling Allan, pois sua mãe falecera pouco depois do nascimento de sua irmã mais nova e seu pai deu no pé. Tendo dado a sorte de ter sido adotado por gente rica (droga!), o rapaz frequentou as melhores escolas e universidades, mas vivia sendo expulso pelo seu comportamento boêmio.
Além dessa vida leite-com-pêra e de vagabundo, Eddy era chegado num mé e em apostas, algo que deixou seu pai adotivo meio puto e fez com que o coroa o alistasse nas forças armadas. Pega leso! Mas você acha que ele iria durar muito no exército?? Há! Claro que não! Edgar foi dispensado por mau comportamento apenas dois anos depois (Ok, até que durou muito. Meu irmão que serviu disse que os orelhas tinham que passar uma semana dentro do mato e levar uns coelhinhos para matarem quando estivessem com fome! Eu não duraria três horas...).
Após o falecimento de sua mamãe, Poe cortou relações com o velho e tentou viver totalmente por conta própria... Mas acabou mergulhando na miséria (É aí que mora o meu meeeedo!).
Nesta fase da vida, o escritor – já em atividade, mas com menos leitores do que eu – ainda teve que passar pela morte do irmão. Daí teve a idéia genial de ir morar com uma tia pobre, o que lhe rendeu mais um bom tempo na merda. Desgraça pouca...

Tudo muito ruim, tudo muito péssimo, até que Poe venceu dois concursos de literatura e por conta disso lhe foi entregue a direção do jornal Sothern Literary Messenger, na cidade de Richmond. Nesse período, Poe casou às escondidas com uma prima sua. INCESTUOSO! E ela tinha... 13 anos! PEDÓFILO!!
Aliás, falando em incesto, o filósofo Ronald Rios deu a tese definitiva sobre o assunto neste vídeo:


Mas voltando... No ano de 1833, ainda na flor da idade e tendo já largado o jornal, Poe lança a revista Uma aventura sem paralelo de um certo Hans Pfaal, que lhe dá uma certa reputação e já lhe rende alguns fanboys. Mas como nem tudo são flores (mesmo!) na vida do moço, sua espozinha vem a falecer de tuberculose.
Foi em 1845 que Poe lançou seu mais célebre poema, O Corvo. Se hoje ele é aclamado e traduzido por inúmeras línguas, na época a aceitação não foi às mil maravilhas. O poema foi fracasso de público e crítica, que o considerou sombrio demais.
Poe manda todo mundo se foder e cai de vez nas graças do álcool.

Bebedeira vai, bebedeira vem, até que certo dia Poe é encontrado nas ruas de Baltimore, totalmente chapado, com roupas de outrem e chamando por um tal de Reynolds. Isso te soou misterioso? Pra mim soou homossexual pra cacete, mas isso não vem ao caso.
Quatro dias depois disso, Poe falece no hospital, no dia 7 de Outubro de 1849. Nunca se estabeleceu certamente qual foi a causa de sua morte, mas algumas conjecturas dão conta de que ele foi envenenado, outras de alto nível de alcoolismo, outras do uso de ópio e outras de que tenha  acordado do lado da Dercy Gonçalves (que devia ter uns 67 anos na época) e que não tenha usado preservativo.

Em sua curta vida, Allan Poe criou uma obra riquíssima, contando com inúmeros contos, poemas, e um livro (Os Relatos de Arthur Gordon Pym). A mais prolífica e famosa parte de sua obra são os contos, os quais alguns abordam temas como romance, policiais e até mesmo a comédia. Mas a maioria e de maior destaque sem dúvida são os de horror e suspense. Poe abusava de um terror psicológico, angustiante e gótico. Os personagens de suas histórias eram sempre perturbados, sofridos, cheios de fobia. Muito disso representava a mente atormentada do próprio autor, que muitas vezes se refletia em seus personagens e em suas histórias.
Como dito antes, sua obra influenciou muita gente, inclusive tem-se em Allan o criador dos contos policiais modernos, principalmente pelos contos Assassinatos na Rua Morgue e A Carta Roubada, que lembram muito o que se veria posteriormente em Agatha Christie, Arthur Conan Doyle e muitos outros.

Alguns contos deveras supimpas

Se você não conhece a obra de Poe ainda, ou conhece mas por ventura não tudo (o que não é fácil), indico abaixo alguns contos que achei meio do caralho.

Assassinatos na Rua Morgue

Quando duas mulheres são brutalmente assassinadas na rua Morgue, em Paris, o soturno detetive C. August Dupin e seu amigo narrador assumem o caso, e conforme as pistas vão aparecendo, ambos percebem que as mortes não foram causadas por mãos humanas.
O personagem Dupin é considerado o precursor de Sherlock Holmes (Conan Doyle) e Hercule Poirot (Agatha Christie), pelo seu fantástico método de dedução e investigação.

O caixão quadrangular

Durante uma viagem para Nova York, homem se depara com um grande mistério envolvendo seu amigo que também está a bordo, o jovem artista Cornélio Wyatt. Wyatt está visivelmente com a alma atormentada, e tem um apego enorme à um caixão em formato quadrangular que carrega consigo durante a viagem.
Considero este um dos melhores contos do escritor. É uma trama genial, no maior estilo Hitchcock ou Agatha Christie. Mais um profundo mergulho na alma humana feito por Poe.

Sombra

Parábola genial, que nos conta uma história ocorrida em 794 antes de Cristo, narrada postumamente pelo grego Oinos. O antigo nos conta uma ocorrencia em uma noite onde ele e seus amigos estavam fazendo uma pequena festa em seu abrigo, que os protegia da peste, que na época estava transformando o planeta em um reino de terror. Oinos e seus amigos bebiam e riam – ainda que interiormente apavorados – dentro de seu aparente conforto, até que recebem uma inesperada e aterrorizante visita.

Os fatos que envolveram o caso do Senhor Valdemar

Esse é um daqueles contos que fiquei com o maxilar em 90 graus em relação ao resto da cabeça quando cheguei ao final. Conto mórbido e nauseante, narra a história de um médico que tenta a hipnose em um moribundo, com o intuito de ver por quanto tempo consegue adiar a morte. Mal esperava ele o terror que se sucederia quando a hipnose perdesse seu efeito...

O Rei Peste

Conta a história de dois marinheiros que, ao ancorarem em Londres para uma noite de bebedeiras, entram em um território proibído pelo Rei por ter sido assolado pela peste. Dentro do tenebroso lugar, os dois aventureiros bêbados tem que lidar com a população do território amaldiçoado e seus habitantes que, apesar de deformados pela peste, são dotados de uma grande organização hierarquia.
Um conto muito divertido de Poe que deveria virar filme!


No cinema

Há uma grande variedade de obras cinematográficas baseadas ou inspiradas em contos de Allan Poe. Há inclusive quem use o nome do escritor apenas como jogada de marketing, como foi o caso de Edgar G. Ulmer, diretor do filme O Gato Preto, de 1934 (que, apesar de ser um dos clássicos da Universal, considero meia-boca), que após ter enchido o cu de dinheiro com a película, admitiu que só usou o nome de Allan Poe nos pôsteres e nos créditos do filme para atrair o público, pois nem sequer referência ao conto de mesmo nome tinha alí. BASTARDO!!
Porém, algumas obras cinematográficas merecem destaque (não vou citar tudo, claro), como...

Muralhas do Pavor

Marilyn Manson quando acorda sem maquiagem


O nome do diretor Roger Corman é sempre associado ao de Allan Poe. Corman deve ter lido alguns contos do cara e pensou “Cacildis! Isso deve dar algum dinheiro.” A partir de então filmou diversas adaptações da obra de Poe, muitas delas não exatamente fiéis, mas sempre legais. Muralhas do pavor é uma delas. É um daqueles filmes que une algumas histórias separadas em sequência, como o filme A Casa que Pingava Sangue, mas todos baseados na obra de Allan, mas especificamente nos contos Morella, O Gato Preto, O barril de Amontilato e O Estranho caso do Sr. Valdemar, com destaque para este último. O filme conta com a participação de Vincent Price e Peter Lorre, duas figurinha carimbadas nos filmes de Corman.

Os Crimes da Rua Morgue


O primeiro filme da Universal baseado em Poe. Em Os Crimes da Rua Morgue, Lugosi interpreta o Dr. Mirakle, que faz bocejantes apresentações com seu babuíno Erik (que claramente não é um babuíno, e sim um chimpanzé) e tenta provar sua teoria do parentesco do homem com o macado. Falou, Darwin! Enquanto isso, jovens andam sendo asssassinadas na cidade, e cabe ao estudante Pierre Dupin investigar o caso, que tem grandes chances de estar relacionado ao Dr. Mirakle. Esse filme é meio tomado no Jiraya, fazendo uma bagunça no conto original e inventando um monte de marmotas, embora acabe sendo um filme divertido e despretencioso no final. E Lugosi está bizarro aqui, embora dizer isso seja uma redundância do cacete.

O Corvo


Se Os crimes da Rua Morgue é meio tomado no Jiraya, esse aqui é completamente chapado na pantera! O filme mais cômico de Corman baseado na obra do mestre. O Corvo é levemente inspirado no famoso poema de mesmo nome, e conta a história de três feiticeiros – Vincent Price, Peter Lorre e Boris Karloff – em uma épica (há) batalha de egos. Como se esse elenco de peso já não fosse o suficiente, o filme ainda tem Jack Nicholson em começo de carreira. Não! Não tem o Brandon Lee!
Um amigo meu assistiu esse filme e odiou. Ele me disse para assistir só para comprovar que era uma merda. Eu o fiz e adorei! Ele passou a me odiar por isso e até hoje não nos falamos. É, a gente leva cinema à sério.

Histórias Extraordinárias

Golias deve estar sentindo muita dor agora

Esse aqui muita gente não vai com a cara, mas eu até que me amarro. Na linha de Muralhas do Pavor, Histórias extraordinárias conta três ‘causos’ baseados em Poe: Metzengerstein, dirigido por Roger Vadim, Willian Wilson, por Louis Malle, e Toby Dammit, por Frederico Fellini. Embora os dois primeiros contem com a presensa das belas Jane Fonda (fazendo par ‘romantico’ com Peter Fonda, seu irmão na vida real!) e Brigitte Bardot (que continua... linda), Toby Dammit, adaptação livre do conto Nunca aposte sua cabeça com o diabo, é o melhor dos três, apesar de conter no máximo referências ao texto original, pois é um filme bem inspirado, fotografado e alucinante. E Terency Stampy está excelente como Dammit.

A Queda da Casa Usher


Esse foi o primeiro filme de Cormar baseado em Poe, mas precisamente no conto de mesmo nome. E foi um sucesso. Embora haja um famoso (ok,ok. Nem tanto) filme francês de 1928 baseado no mesmo conto, este aqui é seu melhor representante. Conta a história dos irmãos Rederick (Price de novo) e Madeline (a bela Myrna Fahey, que tem nome de caipira) Usher, que tem um histórico de loucura na família que deixaria os Suplicy com invejinha. Quando os solitários irmãos recebem a visita de Philip, noivo de Myyyrrrrna, revelações monstruosas sobre aquela família começam a aparecer.
É um dos filmes que mais se aproximam em matéria de fidelidade à obra do escritor, embora contenha algumas diferenças triviais (digamos).

A Máscara Mortal

“Se der merda, não conte a ninguém que fui eu quem falsificou esta carteira pra você, ok?”


Esse é considerado pela maioria dos cinéfilos e fãs de Poe como a melhor adaptação de um de seus contos para o cinema. Quando Roger Corman já estava tornando os filmes baseados no escritor cada vez mais cômicos e autorais (vide O Corvo) nos Estado Unidos, ele decidiu ir para a Inglaterra dirigir esta fantástica obra do horror no cinema. O filme tem como protagonista principe Prospero, interpretado por Vincent Price (de novo esse cara! Porra!! Paaaapo!), que além de ser satanista, é miserento que só a porra. Em uma época medieval onde a peste já dizimou grande parte da população mundial, Prospero resolve dar um grande baile de fantasias em seu castelo. Baile este que tem grandes chances de terminar em merda.
O filme ainda une outro conto de Poe, o Hop-Frog e os oito orangotangos acorrentados. É uma pelicula muito bem dirigida, com uma fotografia excelente que capta muito bem sua aura gótica.

The Raven


Estréia ano que vem o filme O Corvo, com John Cusack interpretando o escritor em seus ultimos e misteriosos dias de vida. É uma obra ficcional e não biográfica, que mostra Poe investigando um assassino que comete crimes baseado em seus contos. Em fase de produção, o filme foi roteirizado por Hannah Shakespeare e está sendo dirigido por James McTeigue. Embora não sejam nomes de peso, as espectativas são altas e sinto que vou me borrar nas calças no dia em que estiver disponível na net... digo, no dia da estréia.

Midnight Mysteries: The Edgar Allan Poe Conspiracy


Só pra finalizar e demonstrar ainda um pouco mais a expansividade da influência de Poe, gostaria de falar rapidamente de um jogo muito legal para PC. Trata-se de Midnight Mysteries: The Edgar Allan Poe Conspiracy, puzzle cujo objetivo do jogador é investigar e desvendar a morte de Allan Poe em no máximo 24 horas. E eu ia fazer uma piadinha com o Jack Bauer agora, mas seria manjado demais.
É um game bem bacana, com riqueza de detalhes visuais, inúmeras referências à seus contos e que força o jogador a racocinar e usar a imaginação. Usei-o, inclusive, como referência na minha monografia ano passado, mas essa é outra e dolorosa história.

Bom galeura, é isso. Espero que tenham gostado. Prometo não demorar tanto para postar novamente, embora eu não tenha o habito de cumprir promesas e ninguém se importe mais com atualizações neste mundo moderno e globalizado em que vivemos.

Abssss

terça-feira, 12 de julho de 2011

Análise de Cena: The Runaways – Garotas do Rock (The Runaways / 2010)

Havia muitos pôsteres legais. Logo não consegui escolher um.


Galeura! Tô sem tempo pra postar, e lembrei que fiquei de republicar aos poucos aqui no Pruno's meus posts favoritos do meu antigo blog - o Análise de Cena - para que não fiquem perdidos no espaço tempo. E já que nesse 13 de julho é dia do Rock, vamos de Runaways. Até semana que vem com post inédito! 

Impulsionada pela necessidade de quebrar as barreiras do machismo que existia lá por meados dos anos setenta, Joan Jett juntou forças para formar o The Runaways, banda de rock pioneira por ser formada apenas por integrantes do sexo feminino. Se o mundo do rock n’ roll foi, ao longo do tempo, presenteado com bandas como L7, Hole, Kittie e afins, esses grupos totalmente femininos deveram/devem grande parte da sua existência ao Runaways, que quebrou paradigmas e abriu portas para as mulheres no mundo masculino do rock e... e... É mais ou menos isso.






The Runaways começa em 1975. Uma época muito sangrenta:




Especialmente para a personagem de Dakota “criança prodígio dos infernos” Fanning...


Isso escuro escorrendo na perna é sangue. Menos mal.

... Que está menstruando pela primeira vez na vida. Mas deixemo-la para depois, pois perto dalí temos Kristen “Bella cara de peixe morto” Stewart dando um bizú em uma loja de roupas.


E percebemos que ela anda que nem um machinho nesse filme.

Bella se interessa pela roupa do rapaz no balcão e diz a vendedora que quer uma igual.


E o pagamento é à vista, pelo visto (sem trocadilhos).


Algo me diz que tem algum picolezeiro todo esfolado lá fora.

Pois bem. Bella anda masculinamente, usa roupas de homens e espanca picolezeiros. Precinto lesbianismos mais à frente.

Aliás, Kristen interpreta Joan Jett . Não se esqueçam disso. Eu não esquecerei.

Sem motivo aparente, Bella começa a correr ao sair da loja.


Talvez porque a diretora do filme tenha mandado, dizendo que seria legal uma personagem correndo enquanto aparece o título do filme na tela.
Tipo... The Runaways (As Fugitivas) enquanto alguém corre. Sacaram? Que massa! Já gostei disso!

Gosto também do Fautão. E de fimose.

Em casa, Dakota pinta a cara para dar um showzinho.


E isso é tinta mesmo, ela não está reaproveitando sangue nenhum.

Dakota interpreta Cherie Currie. Não esqueçam disso também. 


Então vamos ver o show de calouros que ela participou?



Bom, eu achei engraçado. Mas Marly Marley e José Messias parece que não gostaram muito, e a menina ainda foi vaiada pela platéia.

Enquanto isso, Bella está tendo aulas de guitarra com um tiozinho muito do seu machista...


Que se recusa a ligar o instrumento no amplificador, pois “garotas não tocam guitarras elétricas”.

Aliás, sabiam que, quando eu tinha 18 anos, meu professor de contrabaixo só me passava uma tablaturinha de cinco ou seis notas pra eu ficar tocando durante duas horas? E a aula era só uma vez por semana!

Mas como vocês não devem estar minimamente interessados na minha vida, continuemos.

Bella vai pra uma festinha exercer sua bissexualidade onde conhece o produtor musical Kim Fowley e a bateirista fofinha Sandy West.


E logo ambas estão tocando na casa de Sandy sob supervisão de Kim. Prático.

Ok, ok. Mas eles precisam arrumar os outros integrantes, pois só com as duas a banda ficaria num formato similar ao White Stripes. E White Stripes é terrible! E não me venha aporrinhar, você fã dessa banda!!

Kim e Bella vão à caça dos outros integrantes. Nada melhor do que numa boate cheia de junkies e bebados.


Este é Kim.

Sim, muita gente nesse filme se maqueia como David Bowie.

Dakota está estratégicamente escorada num canto e tomando refrigerante no canudo.

Má, oêêê!! Má qué tocar no Runawaysss?? Então vem pra cááááaann!!

Enquanto Bella tenta catar alguém na boate, Kim conversa com Dakota e pergunta se ela sabe cantar alguma coisa. Na verdade, o fato da garota ser loira é o pré-requisito mais importante para entrar na banda. Papo sério.


No dia seguinte, Dakota vai ao trailer onde o povo da banda tá ensaiando para fazer um teste. Como está bastante nervosa, acende um cigarrinho para relaxar. Mas tá nervosa demais! Como eu sei? Ache o erro na cena acima e descubra por si mesmo.

Ao adentrar no veículo, a loira tem a péssima idéia de cantar uma música lenta, e é escurraçada de lá rapidinho.


Mas Kim fica inspirado na moça e chama Bella para ambos comporem uma música alí na hora. É a música é Cherry Bomb, a primeira faixa e primeiro hit da banda. Engraçado como a música é composta com uma rapidez meteórica, mas vamos fingir que foi bem natural pra não perder a amizade.

Dakota, que ficou esperando do lado de fora, é convocada para uma segunda chance. Kim pede a ela que cante a música que acabaram de compor.


Sim, ele está fazendo o gesto que você está pensando. Será que ele achou que isso iria estimular Dakota a se soltar e cantar? Lembrando que Kim é um cara de 30 a 40 anos num trailer cheio de meninas de 15 e 16.

De qualquer forma, Dakota canta a música (cuja qual a letra decora também meteóricamente) bonitinho e é aceita como vocal principal.


Em casa, a nova vocalista e sua irmã recebem a notícia de sua mãe de que vai se casar com esse cara costeletudo aí e vai dar no pé, deixando as duas. A vida familiar dessas meninas é cheia de problemas, com o pai alcolatra e ocupado demais para elas, a mãe igualmente ausente, blá blá blá, snif snif, Casos de Família.

De volta ao trailer (não tinha um lugar mais apertado pra ensaiar, não?), Kim convoca uns garotos para jogar latas nas meninas enquanto elas tocam. A idéia é tratar a banda com um tipo de treinamento militar para que estejam preparadas para os grandes palcos.

                             

Tentei que só, mas não consegui capturar nenhuma imagem das latas atingindo-as, então que se foda! (Isso foi rock n’ roll o suficiente pra você, Kim?)
A propósito, vamos aproveitar para falar das integrantes que ainda não haviam sido apresentadas. A do meio com blusa vermelha é a guitarrista Lita ford, interpretada por Scout Taylor Compton (a Laurie Strode da nova geração), e está sempre com essa cara emburrada de satanista com dor de barriga. E a moça mal vestida e mal penteada mais a direita é a baixista Robin Robins, que não abrirá a boca o filme inteiro. Vale constar também que Robins é uma personagem ficticia, pois a baixista original da banda recusou ceder os direitos de sua imagem. Esses fatores automaticamente tornam Robin a personagem mais genérica de todos os tempos. 
Feitas as devidas apresentações, Kim consegue um contrato para uns shows e a banda cai na estrada.
                              




E a cena acima não tem relevancia alguma, exceto que Kristen Stewart cheirando o sovaco com uma pistola de água na mão não é algo que se vê ao abrir a janela do escritório. Aliás, sabiam que acho a Kristen uma das mulheres mais lindas do mundo? Pois é, gosto não se discute (ou sim). 

Quer ver outra cena de pouca relevância para nossas vidas, mas que também é interessante?

                             
Uma garota (nesse caso é Sandy) se masturbando com a ducha, o que também é algo que DEFinitivamente não se vê no banheiro. Pelo menos não no meu. E fiquei deprê agora.

Okeijos. Vamos a um pré-show. Bella tá morrendo de vontade de tirar água do joelho e entra no camarim de uma banda com a qual acabou de ter uma desavença (machismo é o esporte favorito dos homens nesse filme). Para se vingar, a garota mija nas guitarras deles!


Isso era para chateá-los? Sabem o que eu faria se Kristen Stewart urinasse em um instrumento meu???


É. Algo parecido com isso. Mas eu sou um depravado, isso me envergonha e estou arrependido. Só não tiro a imagem daí porque já tá postada mesmo. Ou porque ela é legal apesar de tudo. Ou talvez porque eu não esteja arrependido porra nenhuma.


Ao saírem “the flash” do camarim da banda de marmanjos, Bella e Sandy são presenteadas por Dakota com umas pilulazinhas que as deixa animadas.

Oh não! Elas estão caindo nas drogas e estão prontas para entrar de vez no mundo clichê do rock n’ roll! Daqui a pouco uma delas vai querer seguir carreira solo, outra vai dizer que viu um O.V.N.I. (ou que foi abduzida por um) e a banda vai acabar rapidinho por desentendimento com o produtor e entre si, com metade das integrantes indo pra rehab. Ou a banda pode durar bastante tempo e passar a fazer mais baladas por disco, e com metade das integrantes – agora recuperadas pela rehab – comendo no máximo peixe do reino animal e fazendo yoga todo dia.


O Runaways continua fazendo shows por aí. Após um deles, Bella e Dakota estão fumando uns baseados enquanto tem uns caras doidos para dar uns amassos nelas. Mas olha só pras duas olhando uma para a outra. Você acha que elas estão interessadas nos cuecas?

 Esta é a imagem de número 24 do post. Sério. Não é coincidência, é destino. Não lutem contra ele, amigos.

Eu disse. Eu DISSE! Foi um beijo no escuro, rápido e meio xoxo, mas FOI. Agora, você jovem pervertido, vá lá ao banheiro ganhar uns calos a mais na mão direita que eu já passei dessa fase.

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Opa! Er... Fui ali rapidinho dar comida pra minha cachorra, é sério. He...

Continuemos.

A banda assina com uma grande gravadora e ganha cada vez mais e mais popularidade.


O que é enfatizado por recortes de jornal e frases voando na tela. Um dos recursos mais inovadores da história do cinema (mentira).

Em casa, Dakota, cuja banda está prestes a fazer um show no Japão, diz à irmã que esta não poderá ir com ela, devido a problemas de cash.


A irmã fica decepcionada, pois não esperava ser abandonada pela única família que tem por perto, blá blá blá, snif snif, Sônia Abrão.

 De qualquer forma, Dakota está demonstrando cansaço e desanimação durante os ensaios da banda, o que deixa o carrasco Kim meio irritadiço, algo que conseqüentemente o leva à ironia.


Kim já apareceu comendo uma mulher em uma cena anterior que não mostrei aqui, mas eu ainda o acho bem gay.

Enfim, o cara diz a Dakota que uns fotógrafos irão até sua casa para tirar umas fotos provocantes suas para uma revista japonesa. Mas ela não é de menor? Os anos setenta eram uma época confusa demais pra mim, bicho.


Os fotógrafos estão fazendo seu trabalho até que uma vovó bastante caricata chega e os expulsa à bengaladas.

Se eu tivesse vivido nos anos setenta, queria ter uma avó durona assim. Só assim poderia prezar por minha castidade tranqüilamente.

Bom, as moças da banda viajam para o Japão. No vôu, um carinha chega às duas protagonistas do filme e diz que, se elas querem ir cheirar cocaína no banheiro do avião, esta é uma boa hora. É aí que eu percebo de vez que os anos 70 eram uma década perdida mesmo.


E que Bella tem problemas de calvície precoce.


E não dá outra. As duas se esbaldam no pó. Dakota cheira um pouquinho a mais, o que será crucial para a história toda mais pra frente.

Finalmente as meninas (não aquele extinto grupo de axé) desembarcam no país do Godzilla e do Doraemon, tendo sua limusine atacada por diversas otakus hitéricas (ou antecessoras destas).


Reparem que a primeira otaku da direita para a esquerda e a quarta da esquerda pra direita estão segurando enormes papéis amarelados para serem autografados pela banda. Aliás, todo mundo está segurando papéis enormes! Não tinham inventado o caderninho ainda não?

Chegando ao camarim, Bella conversa com Kim ao telefone sobre assuntos relacionados à Banda (Não! Relacionados à pinta do Colin Farrell!)


A propósito, sempre duvide de alguém que lê A Arte da Guerra pendurado de cabeça para baixo e com estrelinhas na camisa. Geralmente são pessoas perigosas.

Antes do show, Dakota usa mais e mais drogas e já está ficando pra lá de Bagdá. Mas a banda faz o tão aguardado show para os japocas mesmo assim.


Sim. A loira está de lingerie para exibir sua secura enquanto as outras integrantes estão vestidas como recepcionistas de motel cinco estrelas.

Aliás, a Cherie Currie da vida real era mais top. Vejam o vídeo original desse show e me digam se não sou o dono da razão neste mundo:


Né?


Após o show, as garotas percebem que as otakus estão prestes a invadir o camarim! Minha nossa!!

Pra piorar, Lita chega muito enfurecida ao local. Por que será?


É que ela trouxe as revistas cujas fotos pouco comportadas de Dakota foram publicadas. E eu falei que Lita fica o filme inteiro com essa cara de puta (puta no sentido de puta da vida).

Todas ficam chateadas ao saberem que Dakota tirou fotos como uma vadia ordinária do caralho, pois isso tira a credibilidade da banda.

Mas não a tempo para se preocuparem com isso, pois...


CORRAM GAROTAS!! É O ATAQUE DAS OTAKUS HISTÉRICAS!!

E pensar que ainda estávamos em 1975. Essa espécie só iria se multiplicar com o passar do tempo.

Então: Dakota, totalmente chapadôncia, passa mal no elevador e desmaia. Tudo por causa das dorgas, crianças.

Não parece cena de um episódio de Star Trek?

A moça vai parar no hospital e se recupera, aparentemente. Em seguida vai visitar a irmã, com quem faz as pazes, conversa sobre o pai alcoólatra que está se recuperando e de quem toma algumas pílulas escondida da irmã, blá blá blá, snif snif, Márcia Goldsmith.

Depois, enquanto a banda tenta ensaiar, Dakota está enchendo a cara e pê da vida com uma pérola que Kim soltou sobre ela em uma revista de fofocas. E parte da banda (leia-se Lita) está meio puta, pra variar, com o fato de a vocalista ser o centro das atenções. O que gera...?


As deliciosas briguinhas internas, claro!

Bella aparta e Kim também intercede, insistindo para que a vocalista assuma seu posto no ensaio.

“Um elefante incomoda muita gente, um produtor abitolado incomoda muito mais...”

Reparem que ele tenta convencê-la de todo jeito, mas a garota já está farta da banda... E se vai. Sério. Ela simplesmente pulou fora, pediu arrego, abandonou o barco, vazou, #partiu.


Bella fica desorientada e, furiosa (não sei se com a saída de Dakota ou com as duas espinhas nascendo em sua cara), começa a quebrar tudo no estúdio e mandar todo mundo pra puta que pariu. Inclusive Kim...


Que como bom sádico esquizofrênico e de sexualidade duvidosa que é, adora o espetáculo.

Bom, ainda tem mais uns vinte e poucos minutos de filmes, mas chega! Quer descobrir se Dakota vai voltar pra banda ou se vai ficar em casa se entupindo de drogas e bebidas como John Frusciante ao abandonar o Red Hot pela primeira vez, ou como eu farei se você não divulgar meu blog para todas as pessoas que conhece?? Quer saber se acontecerá algum milagre dos céus que fará com que a personagem Robins abra a boca pra falar alguma coisa?? Ou se Lita vai conseguir dar um sorrisinho sequer??? Dakota irá com sua família cheia de problemas a algum desses programas sensacionalistas que expõem e humilham resolvem os problemas do povo, como o A Desgraça A Tarde é Sua ou o Programa do Ratinho??? E que raios de fim levará a banda???

Bom, se quer saber tudo isso, simplesmente assista ao filme. E depois vá transar com alguém. Ou vá jogar vídeo game, o que é ainda melhor.

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Talvez o fato de ser baseado no livro autobiográfico Neon Angel de Cherie Currie e de ter a Joan Jett original como uma produtora executiva tenha deixado o filme parcial demais, o que definitivamente não é bom para uma história real, e nem mesmo para uma obra de entretenimento. A “desculpa” da produção do filme - e que eu até percebi ter sido aceita por alguns críticos – é a de que “não dá para trabalhar todos os personagens em um só filme. Então vamos focar apenas em Joan Jett e Cherie Currie”. Galera, esse papo definitivamente NÃO COLA! O filme Conta Comigo conta (hehe) com quatro personagens principais, e todos são muito bem trabalhados. Outro exemplo melhor ainda é o genial O Clube dos Cinco (amo esse filme de paixão), onde cada um dos cinco protagonistas tem suas personalidades brilhantemente bem desenvolvidas ao longo da película e cada um tem seus momentos de destaque. Eu poderia citar dezenas de exemplos, mas nenhum mais me ocorre agora (mas sei que existem!). O fato é: Se você é um bom roteirista, vai saber se virar e dar um jeito de trabalhar todos os personagens relevantes à trama. Mas parece que não é o que ocorre aqui. Com o foco em demasia em Cherie e Joan, Robie, Sandy e Lita (esta última com um papel essencial na história da banda) foram deixadas praticamente na figuração. Isso é algo que me incomoda muito em um filme. Por isso me irritei também com Rockstar e com Quase famosos, por exemplo.
Mas enfim, quanto ao resto, digamos que o filme cumpre seu papel em apresentar a banda e despertar a curiosidade das novas gerações, embora faça isso através de um roteiro muito seguimentado. A diretora e roteirista estreante Floria Sigismondi parece apenas utilizar as técnicas já desgastadas em outros filmes sobre bandas de rock. O filme mostra o início, a ascensão e queda da banda. Em meio a tudo isso, drogas, conflitos familiares, conflitos internos da banda, manchetes sobre a banda voando na tela nos momentos de auge, etc. Tudo de uma maneira muito mecânica, sem muito gás e inovação.
Apesar de tudo, The Runaways não é um fiasco total. Temos boas interpretações. Stewart mostra que não é só um rostinho bonito e inexpressivo, e as garotas realmente tiveram que ensaiar bastante para tocar e cantar de verdade as músicas, que ficaram muito boas na versão delas.
Há boas cenas também. O momento na passagem de son onde Cherie decide abandonar o barco e Joan fica enfurecida merece destaque. É realmente uma cena tensa que mostra o talento do elenco.
A fita, apesar de não mostrar toda a trajetória da banda (que ainda durou alguns discos após a saída de Cherie) e de modificar alguns fatos, é relativamente fiel à realidade e, como eu disse, serve de apresentação à quem está interessado em conhecer esta importante banda. Como cinéfilo, eu dispensaria sem muita comoção. Como grande fã de rock n’ roll, eu recomendo.

NOTA: 6, 5


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