segunda-feira, 27 de maio de 2013

10 motivos pelos quais você deveria assistir ao filme Para Sempre Lilya

Republicando aqui um dos posts do meu antigo blog, publicado há quase dois
anos atrás. Se estiver mal escrito, a culpa é do meu eu de 2011.

Saudações, galerinha do mal. Hoje peço vossa licença (peço nada, o blog é meu) para falar aqui de um filme sensacional que há tempos estou querendo divagar sobre. Para Sempre Lilya (Lilja 4-Ever / Suécia, 2002) é definitivamente um dos meus filmes favoritos 4-ever (há), que me deixou emocionado da primeira vez que o vi (e nas outras vezes também), me impressionou pra valer e me fez querer que todo mundo o assistisse também. Então tive a ideia magnânima que só os raros e humildes gênios escolhidos por Loki como eu têm de enumerar dez motivos para convencer vossas mercês a darem uma olhada na tal película.
Agora, se após ler este post você ainda não se interessar em ver o filme... Desista. Sério, sério. Desista. Vá assistir algum filme das irmãs Olsen. Um daqueles que elas vão passar férias em um lugar paradisíaco e tem que salvar golfinhos de empresários gananciosos e cheiradores de cocaína. Ou vá assistir Grávida aos Dezesseis. Ou Chapolin mesmo. Aquele episódio dos duendes.
Peraí! Chapolin é legal! Chapolin é do caralho!!! Você não merece assistir Chapolin!!!!
                                      
Vamos logo aos motivos antes que eu perca a paciência de vez e rode a baiana aqui.


É o melhor filme do grande diretor Lukas Moodysson

Err... Ok.

Já falei de outro filme desse cara aqui no Análise, o adorável Amigas de Colégio. Este foi seu debut, seu primeiro sucesso e o filme pelo qual sempre será lembrado e referenciado em um primeiro momento. Quando ouvires falar ou ler sobre Moodysson, será algo do tipo “o diretor de Amigas de Colégio” e tal. Mas o premiado Lilya 4-Ever é seu melhor. Eu já assisti todos os filmes desse elemento – a maioria muito bons (uns mais que outros) – mas nenhum supera Lilya, longa esse que teve inspiração máxima do diretor e tornou-se sua obra-prima.

Pra quem ainda tá chocado com o final de Lost e anda meio desligado das coisas essenciais da vida (risos) , o sueco Lukas Moodysson é um dos cineastas europeus mais badalados dos últimos tempos. Sempre polêmico e provocador, transmite idéias chocantes através seus inovadores filmes, geralmente aclamados pela crítica. Então ser o melhor filme de um diretor como esse não é pouca merda, não.
Tá certo que o cara faz cotoco enquanto usa tiara de pelúcia com orelhinhas, e tiara de pelúcia com orelhinhas só fica bem na Marimoon, que é o ser mais lindo do universo.
Quê?? Você não acha a Marimoon o ser mais lindo do universo??? Então vá ao cão.

É um filme que expõe e critica cruéis realidades

Essa é a cena que me lembra Maria do Bairro mais dramática de todos os tempos.

Eu não gosto de contar o enredo de filme nenhum. Sempre que eu recomendo um filme pra alguém e a pessoa pergunta “é sobre o quê?”, eu me aborreço logo e faço cara de nojento. Não me perguntem por que, eu só não gosto. Mas agora terei que fazê-lo. Arf!
Lilya é uma garota que vive em algum lugar da antiga União Soviética com a mãe, uma ex-prostituta que vai se mudar com ela e o atual namorado para os EUA. Pelo menos é o que ela pensa, pois o casal vai só pra terra do Tio San, deixando a garota sozinha e sem dinheiro, e com seu destino mais incerto que o do Orkut. A patir daí Lilya é abandonada e por quase todos ao seu redor e é obrigada a se prostituir, vida essa que parece difícil de sair mesmo quando ela não a suporta mais.
Lilya... é uma crítica ao abandono infantil, às instituições de auxilio ao menor e ao tráfico sexual escravo, atividade constante na Suécia (para onde Lilya é levada em certo momento do filme), país no qual existe uma legislação que penaliza a compra, mas não a venda de sexo ‘profissional’ em seu território.
O diretor também alfineta o modo como todos viramos consumistas loucos com a globalização, e como o american way of life exerce uma influencia absolutamente controladora em nossas mentes. Lilya vê os Estados Unidos como o grande o Jardin do Éden, se orgulha em ter nascido no mesmo dia em que Britney Spears e seu sonho de consumo é comer no McDonalds.

Não é apelativo, e mesmo assim nos faz sentir na pele o que quer transmitir


Para Sempre Lilya não é um filme de fácil digestão. Trata-se de um filme que, embora belíssimo, é brutal e difícil de assistir. A intenção do diretor foi proporcionar ao espectador a sensação de desespero, desilusão e sofrimento, testando sempre sua resistência. Somos apresentados ao mundo pelos olhos das crianças, que a principio são vitimas inocentes dos adultos, representados como opressores e carrascos.
O interessante é que isso é feito de forma sutil na maioria das vcezes. Não há nudez, e as cenas de sexo entre Lilya e seus clientes são mostradas em sequências que parecem infinitas, em close-ups de rosto, respiração ofegante e sempre do ponto de vista da protagonista, com isso passando a sensação a quem vê de estar sentindo toda a angustia da garota da maneira mais tangível possível.
É interessante o quanto isso se mostra mais eficaz do que em cenas explícitas, pois no desconhecido é onde reside o maior temor em nós e a imaginação se expande para o sofrimento.
Um exemplo inverso deste tipo de abordagem no filme Thriller: A Cruel Picture, onde as cenas da protagonista transando com seus clientes são mostradas em closes de sexo explícito (imagens de arquivo, obviamente). Isso me incomodou um pouco, pois achei extravagante e desnecessário, apesar de gostar muito do filme. Uma vez discutindo o mesmo com um colega meu, ele disse que tais cenas eram necessárias, pois a intenção era nos fazer passar pelo sofrimento da personagem. Isso faz tempo, e nessa época eu ainda não conhecia Lilya para retrucar com um bom exemplo. Droga!

A trilha sonora é duka!


Não é um item primário, mas vocês sabem o quanto isso exerce influência em uma obra. É um daqueles filmes em que a música permeia em várias cenas, o que ajuda a tornar o filme ainda mais marcante. A maioria das músicas tem uma pegada eletrônica, o que combina bastante com o clima frio, inóspito e decadente daquele universo. 
As músicas vão do flashback oitentista de Forever Young da banda Alphaville ao rock industrial e pesado da banda alemã Rammstein, com a ótima música Mein Herz Brennt, em uma memorável cena inicial onde Lilya aparece correndo desolada pelas ruas.
A trilha incidental triste também ajuda a deixar as cenas tensas e depressivas do filme ainda mais tocantes e poéticas.

Os personagens são verossímeis e bem elaborados


Sem maniqueísmos. Nada de caricaturas bidimensionais apresentadas na tela. O que vemos são personagens que tem uma construção bem trabalhada e convincente. E isso tanto os protagonistas quanto os personagens secundários. A heroína Lilya, apesar do carisma, é claramente uma garota de dezesseis anos super normal e até mesmo uma filha da putinha. Isso percebe-se em algumas cenas, como quando trata mal caixas de supermercado e também sua senhoria, mesmo quando não tem mais onde cair dura. Ou seja, mesmo sendo vítima das conspirações do universo, isso não faz dela uma santa, algo que é muito normal de ser mostrado no caso de protagonistas sofridos.
Também há muito realismo por parte dos personagens secundários. Onde melhor se nota isso são nos clientes de Lilya. Alguns caras nos dão um panorama de suas vidas apenas com as poucas coisas sobre eles apresentadas em suas rápidas aparições. Como o tiozinho extremamente solitário e triste que a recebe em casa e tem os cabelos claramente tingidos de preto numa tentativa grotesca de manter a juventude. Em outro percebemos uma tendência a pedofilia quando pede a Lilya que haja como uma filha sua antes do ato sexual.
Isso são só alguns exemplos. Todos os personagens são muito bem construídos e executados com perfeição. Mas é claro que isso só poderia acontecer porque...

O elenco é soberbo


É incrível como Moodysson sabe escolher a dedo com quem trabalhar. Isso faz com que a maioria de seus personagens tornem-se inesquecíveis. Mais uma vez o cara acertou, principalmente com o casal de protagonistas. Oksana Akinshina dispensa comentários (mas os farei mesmo assim). É ela a estela máxima do filme, sua personagem título está em praticamente todas as cenas e a garota praticamente carrega o filme inteiro nas costas. Além do que ela é linda. Ai, ai, ai... Er, bom, não que isso venha ao caso.
E caso você seja um mero consumidor-escravo do cinema norte-americano (olha quem fala), ela fez uma ponta em A Supremacia Bourne.
Quem não fica nada atrás (a não ser em beleza, claro) é o garoto Artyom Bogucharsky, o interprete do garoto Volodya, amigo inseparável e cheira-colinha de Lilya. Os dois conseguem interpretações incríveis, daquelas que conseguem nos emocionar de verdade e transmitir um realismo impressionante, seja nos momentos mais cruciais ou em mínimos detalhes de seu cotidiano juntos.

É um filme filosófico, inteligente e com ótimos diálogos


“A morte é uma eternidade e a vida é muito breve”.
O filme nos apresenta muitas reflexões acerca da vida, nunca nos forçando em determinado tipo de pensamento, mas deixando-nos escolher que linha seguir. Um exemplo disso é em relação à religião, uma válvula de escape de Lilya que, conforme sua vida vai piorando, vai perdendo as forças.
A conversa entre os dois amigos em cima de um prédio é de uma genialidade ímpar, na qual Lilya pensa em se jogar por estar cansada da vida, e Volodya lhe argumenta: “Lembra daquela vez que estávamos no banco e você estava escrevendo ‘Lilya Para Sempre’ nele? E aí aqueles babacas cuspiram na gente? Eu disse para irmos embora, mas você disse que não estava pronta, pois queria terminar de escrever. É o que está acontecendo agora. Todo mundo está cuspindo em você, mas você ainda não está pronta. Não tem problema se você pular, eu te pego. Mas aí você perde e os babacas vencem.”

Consegue mesclar a realidade, o surreal e o não-linear


Quêêê??? Taí um item da lista que parece uma mistura e poderia ser dividido em vários tópicos diferentes. Mas se você procura alguma lógica, deveria ter saído deste blog há muito tempo. Aliás, não devia nem ter vindo aqui.
O fato é: Apesar de ser um filme extremamente realista, Lilya 4-Ever consegue converter a si próprio em situações e questões totalmente, digamos, metafísicas. A ‘garota da capa’ e seu amigo Volodya de vez em quando são vistos em momentos totalmente surreais, como se estando mais do que em um sonho, mas em uma realidade paralela ou além deste plano. Isso começa a ocorrer a partir de certo ponto do filme, quando todas as esperanças já estão se esvaindo, pois, como eu já disse, o filme trata também de questões teológicas.
Outra coisa igualmente interessante é a maneira como Moodysson tratou o roteiro do filme, o transformando mais do que em algo convencional do tipo ‘começo meio e fim’.
Certas cenas se repetem ao longo do filme e algumas até mesmo mostrando nova versão dos acontecimentos, como se tal personagem, como estando em um jogo de vídeo game, ganhasse uma segunda chance, uma espécie de redenção. Mesmo que isso aconteça perante últimas conseqüências. 

É uma baita lição de vida


Grande parte dos filmes, desenhos, seriados, novelas e qualquer coisa do tipo mostram o valor da amizade de maneira tosca e - talvez por causa disso – muitas vezes pouco eficaz. Claro que dá pra dar e tirar umas lições legais em tudo, mas não dá pra negar que é uma arte fazer isso de uma maneira não piegas.
Não é o caso aqui. Lilya é abandonada pela própria mãe e pelos amigos, difamada por todos, enganada pelo namorado e passa a viver na rua da amargura. Mas é aí que começa sua amizade com o garoto Volodya, e vemos o quanto ela é bonita e poderosa. O garoto - que também vive nas ruas após ser expulso de casa por seu enlouquecido pai – e Lilya só podem contar um com o outro. Há momentos realmente tocantes, como quando Lilya é estuprada por uns quatro caras e Volodya tenta em vão impedi-los, e quando os dois se reencontram e se reconciliam depois de um tempo.
O filme nos faz refletir sobre em quem realmente podemos confiar e sobre superar as dificuldades que a vide impõe, mesmo que tudo pareça perdido.

A conclusão é ambígua, imprevisível, linda e não apela para os ‘finais fáceis’ [NO SPOILERS]


Vou citar um exemplo bem tosco de final fácil em filmes: Jimmy Bolha, com Jake Gyllenhaal. O cara passou a vida achando que não tinha anti-corpos e por isso passou a viver dentro de uma bolha, até que ao final do filme ele descobre que era tudo uma mentira, e que era mais saudável do que Keith Richards antes da primeira troca de sangue. Final feliz pra todo mundo.
‘Para Sempre...’ não apresenta saídas esdrúxulas e simplificadas. Portais mágicos não brotam do chão com soluções pra todo mundo, e Silvio Santos está bem longe dalí com sua Porta da Esperança (que nem existe mais, né?).
Não é um final previsível, acreditem. Aliás, a maior parte do filme parece seguir um caminho diferente do que achamos que vai seguir. Quando desemboca no final, temos uma conclusão dramática, aberta a interpretações no que tange à moral do filme e uma ultima cena belíssima. Sério, a cena final é de uma beleza poética das mais lindas que já vi.
É um final triste e feliz ao mesmo tempo. Te confundi? Problema teu! Hehe...

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Então é isso, zumbis internáuticos. Achou essa lista de motivos sem sentido e redundante? Talvez eu também, mas quem liga, não é? E acho que esses são algumas razões que fazem com que Para Sempre Lilya seja um dos meus filmes favoritos, talvez o favorito. Ou o segundo favorito.
E qual seria o primeiro favorito?? Talvez um dia eu crie coragem e diga qual é e até mesmo fale sobre ele aqui, mas preciso de muito amadurecimento ainda. Sério, ele não é motivo de orgulho pra ninguém.
E depois de toda essa propaganda aposto que a primeira coisa que você vai fazer é... Dar uma mijada, pois esse texto foi longo. Mas depois disso tenho certeza que você vai dar um jeito de conseguir esse filme nem que seja a ultima coisa que você faça, não? NÃO?? Então faz o seguinte, amigo: Sobe naquela árvore ali e chupa aquela manga que tá bem ali. É, aquela maior. Tá uma delícia, rapaz! Depois toma um copo de leite bem morninho. Faz um bem da porra pra pele, você verá.

E já fiquei de saco cheio, então nos vemos na próxima! Abssss

domingo, 12 de maio de 2013

Furo MTV 2013; Uma resenha retardatária


Queria ter feito essa resenha do novo formato do Furo logo quando estreou lá em março, dando minhas rápidas primeiras impressões, previsões e pitacos sobre o humorístico. Mas como esse blog é praticamente 90% sobre cinema e televisão, e como o Furo é meu programa de humor nacional favorito e uma das minhas principais influências no humor (risos) não posso deixar de dizer o que achei mesmo com esse delay de alguns meses. Adicione à tudo isso o fato do Prunosland ser atemporal e tá tudo em casa.
Bom, como talvez já tenha dado pra perceber, sou um grande fã do programa. Acompanho o tal desde sua estréia em 2009 D.C., assistindo-o cristianicamente de segunda a quinta ao chegar em casa após um dia exausto na lavoura cortando cana. Mas eis que na transição do ano passado para este houve uma grande reformulação na grade da MTV, com nomes de peso como Marcelo Adnet (foi pra Globo, vamos rir dele agora por outros motivos), Tatá Werneck, e a própria Dani Calabresa saindo da casa. Se isso se deu pelos boatos de crise na emissora ou não, eu não sei. Mas a mesma teve que se virar bonito para recauchutar o seu programa carro-chefe após a saída de Dani - pois convenhamos, há muito tempo o ponto forte da MTV é o humor e não mais a música, então nem me venham encher o saco escrotal com aquele papo de "ai, foi-se o tempo que a MTV era boa, mimimi" - e do roteirista Pedro HCM e manter a qualidade que perdurou tão bem por longos quatro anos, sendo um deles bissexto ainda por cima.
A ideia foi recrutar não apenas mais um parceiro para o português-nerd-galã das faxineiras Bento Ribeiro, mas sim uma trupe de vários remanescentes e novatos para darem as caras no programa das mais diversas maneiras. A escalação oficial original tinha sido Paulinho Serra, PC Siqueira, Bruno Sutter e o estreante Daniel Furlan. Luiz Thunderbird estranhamente não estava entre esses nomes, apesar de continuar na emissora e ter sido um membro (huuumm, "membro", huuumm...) quase fixo do programa ano passado, e era minha maior aposta para substituir Dani na bancada. Os novos contratados teriam a função de fazer matérias externas, como entrevistas de rua, vinhetas engraçadonhas, quadros novos e coisa e tal. Tudo gravado, em contraponto ao programa em si que esse ano passa à ser ao vivo, em uma das maiores mudanças em relação ao seu antigo formato. E é isso mesmo que vocês perceberam "or not": Ninguém de fato substituiu a esposa do imitador sobrancelhudo global na bancada, já que Bento ficou sozinho como âncora do jornal bizarro, dividindo a mesa apenas com sua consciência pesada de um passado que envolve caminhões, novelas, Cláudias Ohanas e florestas negras (associe tudo isso até fazer sentido, eu te desafio).
O cenário também sofreu  mudanças bem radicais, tendo sido eliminados quase que totalmente os laranjas berrantes em troca de tons mais frios - isso tanto no cenário em si quanto nas vinhetas - , e um design de interior mais requintado e conceituado.
Parece que todos os contratos da MTV são assinados/renovados
com esse casa. Curioso que onde trabalho também...
Aconteceu que a formação original de humoristas não permaneceu exatamente a mesma de quando começou até agora. Quer dizer, até que sim, mas com ainda mais gente nova aparecendo esporadicamente, dentre os quais finalmente Thunderbird e a novata delicinha Pathy de Jesus, pra dar o toque feminino que estava faltando. Já outros que estavam desde a reestreia passaram à dar as caras apenas periodicamente agora, como é o caso do PC Siqueira. Essa troca e divisão de turnos/dias é boa, pra dar tempo de todo mundo mostrar à que veio e não ficarem subaproveitados, além de não poluir "superpopulacionalmente" o televisivo.
O maior erro desta versão 2013 foi realmente terem deixado Bento sozinho na bancada. Por mais que eu goste do luso-humorísta, o rapaz meio que se perde sozinho, ainda mais com o programa sendo ao vivo (outro erro). Uma das principais graças do Furo eram as cortadas e alfinetadas improvisadas entre os dois apresentadores, e isso é totalmente banido no momento que deixam apenas um âncora para rebater as próprias piadas. Não acho que Dani seja tão insubstituível assim - e gosto muito dela - mas não era só colocar um dos vários novos integrantes ao lado do Bento? Fazendo um revezamento diário entre eles ficaria até melhor. A prova disso é que os momentos onde os outros participantes aparecem no programa para interagir com o apresentador são dos pontos mais fortes desta nova temporada.
"Queres um bolinho de bacalhau, ó pá?"
Outro problema que receei ainda ao ver as chamadas era que ficasse interativo demais e virasse uma espécie de "Comédia MTV disfarçado", perdendo o tom de paródia de telejornal característico e aderindo ao humor mais visual, sendo que o ponto forte do humor aqui sempre esteve o roteiro. Isso até que estão conseguindo balancear, apesar do já mencionado formato ao vivo e de certos quadros nada a ver, como Bento interagindo com adolescente babacas do lado de fora do prédio da emissora por intermédio de um dos outros participantes, fazendo perguntas sem sentido e recebendo respostas... adivinha.
Outra coisa que me incomodou bastante foi o design de produção. Por mais que eu tenha achado bonito o novo cenário e a nova identidade visual, não me desce que o símbolo de um programa que mistura humor com informação jornalística seja uma mosca. Isso não te soa bem familiar?? CQC, ora pois!!! Nunca houve tamanha falta de criatividade e "referência" beirando ao plágio assim desde a criação do herói Spawn. É, citei o Spawn em um texto sobre o Furo MTV. Bento Ribeiro approves.
Mas como nem tudo é desgosto nessas nossas vidas amargas, houve mudanças positivas no programa.   Como eu já disse, o mesmo não perdeu o tom jornalístico apesar dos novos elementos atípicos. E a colaboração de Paulinho Serra e seus personagens acrescenta e muito. Nunca fui muito fã do Sutter, mas ele cumpre seu papel direitinho. No entanto, considero o maior triunfo dessa nova empreitada a contratação de Daniel Furlan. Desconhecido das grandes mídias até então, embora já trabalhando com humor há um bom tempo, Furlan já se mostra como um grande talento do ramo e promete ser uma nova promessa | redundância detected | do meio cômico brasileiro.
Os inúmeros quadros novos, cuja renovação sempre foi uma constante do programa, dão uma irreverência à mais, principalmente quando são bem elaborados e estão dentro do contexto, como no caso do Jornal Twittal, onde se noticia absurdos e bobagens ditas por celebridades no Twitter.
Houve também a inclusão de alguns personagens esporádicos divertidos, como os vários criados por Serra e um crítico de cinema nervosinho e gay interpretado por Furlan.
O elemento principal do humor do programa, ou seja, o roteiro, apesar das mudanças de nomes no cargo ocorrida, não se deixou abalar e permanece afiado, irônico e ácido como sempre.
Confesso que não assisto com aquela mesma empolgação que assisti durante quatro anos anteriores, mas o programa está longe de parecer cansado. Torço sinceramente para que mudem de ideia sobre deixar o Bento sozinho no comando e tirem aquela mosca da parede.
O Furo pode ter perdido alguns "dapoltronas" antigos e ainda estar tentando encontrar uma linha à seguir. Resta torcer para que consiga e perdure por um bom tempo ainda, ao invés de durar apenas esse ano e ser cancelado para o próximo. Como diria Renato Russo naquela música: "O tempo dirá". Era isso que ele disse, né?


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