segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Shelley Duvall e o Teatro dos Contos de Fadas


Na minha infância, enquanto a maioria dos meus coleguinhas jogava bola, empinava pipa e enfiava as cabeças de alunos que usavam a camisa por dentro da calça e tinham excesso de miopia na privada na hora do recreio, eu tinha outros focos bem diferentes de entretenimento, sendo que os principais (mas não únicos, reparem bem) eram os animes e tokusatsus na Rede Manchete e a programação infantil da TV Cultura. Hoje não lembro como diabos eu administrava meus horários pra não perder nada do que gostava de assistir. E vou fazer a putinha nostálgica agora: Quem era criança nos anos noventa (estamos envelhecendo, galera! Terror! Terror!) e não lembra do Beakman, do Doug, do Tintim, do Castelo Ra-tim-bum, do Lucas Silva e Silva e outras drogas do tipo? E dentre esses programas tinha O Teatro dos Contos de Fadas. Poucas coisas conseguiram fazer minha imaginação aflorar tanto na infância, e me fazer querer tanto viver naqueles universos, como os episódios dessa série.
Makelele Prateado fazendo uma
ponta como o Gênio da lâmpada
A série foi criada e produzida pela atriz americana Shelley Duvall. Teve vinte e seis episódios de quase uma hora cada, divididos em seis temporadas e exibido originalmente entre os anos de 1982 e 1987. A série foi inspirada em outro programa dos anos cinqüenta, chamado Tall Tales & Legends, que se não me engano é inédito no Brasil. A premissa d’O Teatro dos Contos de Fadas era contar famosas histórias infantis como Cinderela, Branca de Neve, A Bela Adormecida, O Gato de Botas e tantas outras de maneira bem tétrica, levemente pomposa e com um visual clássico, muitas vezes inspirados nas ilustrações de artistas específicos, não deixando o humor de lado. De fato, os produtores conseguiam driblar o orçamento não tão alto (embora mais generoso que da maioria das outras séries infantis da época) com apetrechos usados excepcionalmente em teatro, como rios feitos de lona, animais emborrachados e caricatos e cenários claramente montados e não-realistas. O resultado era uma percepção sem incomodo de que realmente havia uma falta de recursos, mas com o visual ainda deslumbrante, de qualidade e se encaixando bem na proposta do programa.
Mick Jagger traíndo o movimento
Também não sei se era a intenção, mas grande parte dos episódios tinha uma aura bem sombria, com uma fotografia escura e um clima de penumbra, ao mesmo tempo que lúdico. Tanto que em muitos fóruns que vejo a respeito da série, sempre há comentários e tópicos relacionados aos episódios que mais davam medo (Na época, tá gente? Se você ainda sente medo deste programa depois de adulto, procure o farmacêutico mais próximo de você).
A série teve a participação de vários famosos nomes atuando nela, como Matthew Broderick, Robin Williams, Christopher Lee, Angelica Huston, Lizza Minelli, Christopher Reeve, Mick Jagger e diretores de peso como Francis Ford Coppola (que dirigiu o episódio Rip Van Winkle) e Tim Burton (Aladim e A Lâmpada Maravilhosa).
Curtindo a vida comportado, quem diria
Aqui no Brasil o programa começou a ser exibido nos anos oitenta e durou boa parte dos noventa pela TV Cultura (No auge da sua programação infantil. Hoje a emissora se contenta com reprises), que exibiu todos os episódios repetidas vezes, com a saudosa dublagem da BKS. A emissora recentemente voltou a reprisar a série, mas hoje em dia não sei á quantas anda. Nos States, os episódios foram lançados em DVD em 2004, o que aconteceu aqui no Brasil quatro anos depois. Mas se você é dos meus (Entenda: Tem rolos de feno flutuando dentro do bolso), tem todos os episódios no Youtube. Uns com a qualidade melhor que a de outros.


A responsável pela bagaça




"Desde que eu era criança, sou apaixonada por heróis e vilões, a magia e as morais dos contos de fadas. Quando tinha dezessete anos comecei a colecionar antigos volumes ilustrados dos contos clássicos. Com o passar dos anos, minha coleção cresceu consideravelmente. Conversando com meus amigos e parceiros atores, descobri que todos eles, jovens e velhos, eram encantados e excitados pela possibilidade de encenar tais histórias, dramatizar os contos no estilo dos antigos mestres da ilustração com a moderna magia tecnológica do vídeo, e com um toque de humor.  E então, com o amor dos contos de fadas – e uma pequena ajuda dos meus amigos – O Teatro dos Contos de Fadas transfere estas clássicas histórias das páginas pintadas para a tela da televisão.”

As palavras acima são da própria Shelley Duvall (não Bruno, são do Jair Bolsonaro!).
Shelley era uma nerd como eu e você, e se tornou uma renomada e premiada atriz (não como eu e você), na maioria das vezes interpretando personagens exóticas. Iniciou sua carreira no início dos anos setenta e atuou em diversos filmes, muitos sob a direção de cineastas de peso como Woody Allen, Tim Burton e Robert Altman. Você provavelmente a conhece melhor por isto aqui:


É. É a maluca-imprestável-de-olhos-arregalados-mulher-do-Jack-Nicholson em O Iluminado. Ela também fez a Olivia Palito no filme do Popeye (que a Rede Bobo nunca mais reprisou). Foi durante as gravações deste filme, inclusive, que Duvall chegou com Robin Willians – que interpretou o marinheiro – e pediu sua opinião a respeito do livro O Príncipe Sapo, o qual estava planejando filmar. Com o incentivo do ator, Shelley criou sua própria produtora, a Platypus Productions, e apareceu no canal de TV a cabo americano Showtime apresentando a proposta de uma série baseada em fábulas infantis. A idéia rendeu frutos (caso contrário este post não existiria). Willians interpretaria o sapo no episódio piloto do Teatro dos Contos de Fadas.
Duvall, além de idealizadora, criadora e produtora executiva da série, também era sua apresentadora, aparecendo sempre no começo de cada episódio e eventualmente narrando e atuando em alguns, como em Rumpelstilskin e Rapunzel (se bem que, pelo que me lembro, acho que esses foram os únicos).

Falando nela, embora isso não tenha nada a ver com o artigo, Dave Grohl disse no começo do ano que gostaria que ela o interpretasse em um possível filme do Nirvana.

.
.
.
Com mil satanases, não sei por que, mas acho que isso daria certo! Pena que ela já passou da idade (não que ele seja exatamente uma infante tulípa).



Alguns dos contos mais legais

Ok, tem muitos episódios fodas nessa série, mas só vou colocar alguns aqui senão esse post vai ficar maior do que a minha dívida com Jesus Cristo. Pode reclamar que eu não coloquei um que você gosta muito, e que um que eu botei é meia-boca e talz. Eu não me chateio. Sério. No dia em que todo mundo concordar comigo o Messias descerá aqui e acabará com tudo (Hummm... cheio de referências bíblicas em um só parágrafo? Olha só, menino!).

A Princesa e a Ervilha



Essa deve ser a fábula mais afrescalhada de Hans Christian Andersen (autor de A Pequena Sereia, O Patinho Feio, dentre vários outros contos infantis. Há! Aposto que você achou que eu era burro, não?). Olha só a porra do enredo: “Principe entediado resolve se casar, mas tem que ser com uma verdadeira princesa. Perdida na noite, uma cansada princesinha pede ao príncipe para pernoitar no castelo. Os pombinhos se apaixonam. Para ter certeza de que ela é realmente tem sangue azul, a rainha faz um teste com a moça, que consiste em fazê-la dormir sobre um colchão bastante forrado e com uma ervilha embaixo de si. Se a dondoca sentir a ervilha, ela provará que tem pedigree e poderá se casar com seu pimpolho, pois só uma autentica princesa sentiria algo tão singelo em sua delicada pele.” E é isso. Uma lágrima escorreu da bunda do Ivan Drago agora. Mas nesta adaptação, a mais cômica desta série, o elenco soberbo segura as pontas e faz deste um dos melhores episódios. A química entre o príncipe rabugento e mimado Ricardo, a princesa Alicia e o bobo da corte é excelente, e os diálogos são realmente divertidos.



O Menino Que Saiu de Casa Para Descobrir o Que Era o Medo



Na verdade ele foi expulso, mas o título não ficaria muito bom se fosse fiel à história, então tudo bem. Em uma época medieval onde a população tinha medo da própria sombra, o garoto Martin (Peter MacNicol, e sua eterna cara de nerd complexado) se sente diferente por nunca sequer ter sentido um calafrio na vida. Já longe de casa, ele descobre que o Rei Vladimir não-sei-das-quantas está oferecendo uma nota preta e a mão de sua filhota pra quem passar três dias em seu castelo mal-assombrado na Transilvânia e se livrar das assombrações dele. Achando que isso talvez possa curá-lo do seu problema de excesso de culhões, o menino (que devia ter uns trinta anos) topa o desafio.
Esse é um dos mais sombrios. O castelo gótico e a maquiagem dos fantasmas convencem bastante, e a presença de dois astros do horror – Christopher Lee como o Rei Vladimir e Vincent Price como o narrador (embora eu não o tenha ouvido, já que nunca assisti essa série com o áudio original) – só aumentam o clima de terror do episódio.

O Flautista de Hamelin


Este é sem dúvida um dos melhores da lista, talvez até o melhor, duvida? No ano de 1376, na cidade de Hamelin, uma grande praga assola os lares: Ratos! Ratos por todos os lugares. A população pressiona o prefeito de todo o jeito, que não sabe o que fazer a respeito. Até que um exótico andarilho aparece com uma proposta: Se ele se livrar dos roedores, deverá ser recompensado com uma quantia generosa. O sujeito então usa sua flauta mágica para atrair todos os ratos até o mar, fazendo-os cair e se afogar.Todos ficam felizes com o fato, mas o rei não cumpre sua parte no trato. O flautista, furioso sem o pagamento, resolve usar sua flauta mais uma vez, causando um grande tormento.
E sim, nessa porra de episódio todos os personagens falam rimando, o que influencia bastante minha mente já perturbada. Esse conto deveras poético, bonito e melancólico prova de que nem todos os contos de fadas são bobinhos e terminam em final feliz. E Eric Idle (que também narra o episódio e é a cara de Gene Wilder) está excelente como o flautista misterioso, e sua caracterização é muito boa. Destaque também para o personagem do garotinho manco, que causa grande comoção. Show de bola mesmo.

Rapunzel


Uma grávida (interpretada pela própria Shelley Duvall) sente desejo de comer um tipo especial de rabanete, que só se encontra no jardim de sua sinistra vizinha, que tem fama de bruxa. Mesmo tremendo nas bases de medo da velha, seu marido (Jeff Bridges) vai quase todo dia roubar os rabanetes no quintal da dita cuja, trouxa que só ele, caso contrário sua filha nascerá com cara de rabanete (e tem gente que ainda acredita nessas porras). Um dia o futuro papai é pego no flagra. Como castigo, a vilã rouba a filha do casal, Rapunzel, logo quando nasce e a leva para viver solitariamente em uma torre longe de tudo. Já mais velha, Rapunzel (Duvall de novo) está com o cabelo gigante e vive tristonha pelo cárcere privado que a bruxa a mantém, até que um perdido príncipe (Bridges de novo) aparece e as coisas começam a mudar.
E, Cacilda! Como eu tinha medo do quintal daquela bruxa e da própria quando assistia essa porra (agora imagine eu assistindo os filmes do Jason)! Mas, apesar do elenco limitado, esse é um dos meus favoritos. Bridges está muito bom como o galanteador barato, e os cenários são dos melhores (não espere nada hollywoodiano, ok?).



A Bela e a Fera


Um homem idoso se perde na floresta quando encontra um soturno castelo. Ao apanhar uma das rosas de seu jardim, o senhor é surpreendido pelo bestial dono do lugar (Klaus Kinski, que na vida real sempre foi um pancada das idéias), e como punição pela flor roubada, o homem deve lhe entregar uma de suas filhas ou será severamente castigado. Claro que o velhote não topa, mas Bela (Susan Sarandon, linda como sempre), sua filha mais nobre, decide se sacrificar pelo pai e vai viver no castelo com o bichão.
Embora trabalhando em cima de um roteiro simplista, a direção competente de Roger Vadim deu um grande toque de beleza e qualidade a este episódio, apesar do desfecho que deixa um pouco a desejar. O episódio foi totalmente inspirado no longa de Jean Cocteau de 1946 (a caracterização da Fera - assim como muitos elementos dos cenários e do roteiro - é praticamente idêntica).
Agora... escolher Klaus Kinski para viver um príncipe encantado?? Tudo bem convidá-lo para interpretar um vampirão assanhado em Nosferatu, ou um louco megalomaníaco em busca do El Dorado em Aguirre, mas um galã de contos de fadas?? Não é a toa que no final, quando ele se transforma em gente, Bela lhe diz coisas como “Eu quero minha Fera de volta (frase dita por Greta Garbo ao ver o final do filme de 46 na pré-estréia) e “Vou ter que me acostumar com você”. He,he,he. Ha,ha,ha,ha, ha! HUAHAUHAUHUAHAUHAUHAUHAUHA!!!! Próximo.

Chapeuzinho Vermelho


O conto todo mundo conhece, mas Shelley Duvall deve ter fumado pneu de trator raspado na hora de passar para a telinha. A jovem solitária Mary, a Chapeuzinho Vermelho, vai freqüentemente visitar sua avó, que mora do outro lado da floresta. O que ela não contava era com um lobo chamado Reginaldo (pois é) que tá doido pra dar o créu nela e em sua vovó. Lobo esse que tem uma lábia do cacete e que deve ser gay. Nada contra, a maioria dos meus amigos imaginários é gay (e tem super poderes), mas acho que esse lobo joga no time das ovelhas.
Curioso é o final quando o namoradinho de Mary corta a barriga de Reginaldo com uma tesoura e a tira de lá junto com sua vó! Vivas e inteiras! E ao invés de deixar seu pai matá-lo, a Chapeuzinho tem a idéia de encher a barriga do lobo com pedras, para que ele nunca mais consiga comer nada enquanto viver! CHUPA JIGSAW!!
Vale principalmente pela atuação de Malcolm McDowell – o eterno Sr. Alex DeLarge – como o lobo Reginaldo, que definitivamente rouba a cena.

João e o Pé de Feijão


João é um menino feliz e sonhador, embora pobre pra caralho. Seu miserê chega a tanto que sua mãe o obriga a vender sua vaca psicodélica para terem algo o que comer. João, sonhador que só vendo, vende sua vaca psicodélica para um velho por cinco feijões supostamente mágicos (esse danado não aprende, rapaz). Tais grãos fazem crescer um pé enorme de feijão que alcança o céu. E é pra lá que o jovem João vai atrás do tesouro de um gigante comedor de criancinhas que vive em seu castelo nas nuvens. Até que foi um bom negócio a tal troca entre os feijões e a vaca psicodélica. Eu já disse que a vaca era psicodélica? Psicodélica pra caralho, meu!!
Esse foi um dos episódios que mais me fez viajar, pois eu sempre quis ter a sensação de andar sobre as nuvens. Pensa! Deve ser mutcho loco, cara! Que foi?? Eu sei que as nuvens são gasosas e não dá pra pisar nelas, mas você vai me impedir de sonhar? Vai?? Vai??? Por que você não me respeita???

Pinóquio


Apesar de a Disney ter feito a versão definitiva da história de Carlo Collodi em 1940, e do menino de madeira ter ganhado um excelente anime nos anos setenta (As Aventuras de Pinóquio, já exibido no Brasil), esta versão de Shelley Duvall não fica muito atrás não. Ou talvez fique, mas é muito boa. O velho carpinteiro Gepetto molda um boneco com uma madeira que achou no meio de algum lugar. Atendendo o desejo do velho de ter um filho, a azulada e obesa fada Sophia transforma o boneco em gente. Ou quase. O ideal seria que ela o transformasse em criança, mas como essa série parece não ter cota para menores de quinze anos, Pinóquio já surge um jovem rapaz.
É curioso como o episódio é todo em tons escuros, nada de cores berrantes. A direção mais uma vez soube usar a criatividade sobre a falta de recursos. Um bom exemplo é a cena de Pinóquio no mar sendo engolido pela baleia. Embora tosco, o cenário consegue manter um clima de penumbra. Me causou muita aflição quando o assisti pela primeira vez, principalmente porque durante o episódio inteiro Pinóquio prova ser o sujeito mais burro e/ou “cara-de-pau” (piada inédita) do mundo. James Belushi faz uma participação como um dos pilantras que enganam o protagonista.

Mindinha


Uma senhora muito triste e solitária que sonha em ter uma filha recebe a visita de uma mendiga (acho que era mendiga) pedindo por comida. Por ser bem tratada, a visitante concede o desejo da senhora de ter uma criança para lhe fazer companhia. Opa! Peraí! Criança não pode nesse seriado!! E assim a velha senhora teve que se contentar com uma Carrie Fisher (É. Aqueeeeela mesma) diminuída, que recebe o nome de Mindinho devido à sua pequena estatura. Tudo muito legal, mas Mindinha é seqüestrada por uma sapa dos infernos que quer casá-la com seu filho verruguento. A partir daí, Mindinha se meterá em altas aventuras junto com seus amigos para retornar para casa (hehehe, ai, ai, essa galerinha, heim rapaz. Vou te contar).

O curioso é que é um dos únicos – se não o único – episódios musicais, com duas músicas sendo cantadas. O roteiro também dá uma caprichadinha para que os personagens sejam dúbios e suas atitudes nos surpreendam com o desenrolar dos fatos.

Os Três Porquinhos



Eu nem pretendia botar esse aqui de início, mas não tem como. Junto com a Princesa e a Ervilha, é um dos mais engraçados. Também porque é uma das minhas fábulas favoritas, a história de três porcos – Peter, Paul e Lerry (Billy Cristal) – que tem suas casas, respectivamente de palha, madeira e tijolo, destruídas pelo sopro do lobo Buck, que tá doido pra rangar um bacon no jantar. A edição ganhou um tratamento um pouco diferente dos demais episódios, e as tiradas são muito bem boladas, principalmente do estiloso lobo de Jeff Goldblum. É legal comparar sua caracterização com a do lobo Reginaldo de Chapeuzinho Vermelho, embora o interpretado por Malcolm McDowell leve a melhor. É, Jeff Goldblum. Teu passado te condena mesmo. Não, não to falando desta atuação, e de sim sua participação em Independence Day. Caralho, esse filme é terrííível!! Como ele teve tanta bilheteria? Como aparece em listas e livros sobre filmes essenciais para se ver?? COMO???
Calma, Bruno! Não perde o foco! Não perde o foco! Não perde o foco!

João e Maria



Esse é um dos poucos que realmente utilizam crianças como protagonistas ao invés de um bando de marmanjos se passando por fedelhos. Um casal de irmãos é abandonado no meio da floresta pelo pai bunda-mole e pela maldosa madrasta (que, como o episódio bem foca, nunca dá um trato no marido na cama, apesar da insistência deste). Tentando achar o caminho de volta, as crianças se deparam com uma casa toda feita de doce e começam a devorá-la. Infelizmente o anfitrião não é o Willy Wonka, e sim uma bruxa velha escrota dos diabos comedora de criancinhas. A feiticeira tranca João em um calabouço e começa a entupir o menino de comida para que esteja bem gordo na hora do abate. O pior é que vemos a bruxa tirar um menino gorducho do calabouço para papá-lo, depois sai uma fumaça da chaminé indicando que ele foi assado, e dem seguida ela sai da casa dizendo que o achou saboroso! E a puta ainda arranca o coração das crianças e faz pão com eles!! E ESSA PORRA É FEITA PRA CRIANÇAS!!! Vou contar isso pro meu psicólogo e acho que ele vai dizer que esclareceu muita coisa. Ou vai gargalhar da minha cara como sempre faz. Aquele safado!

A Pequena Sereia


O penúltimo episódio do programa conta a história da pequena sereia Pérola, e é narrado pelo próprio pai da dondoca e rei dos oceanos Netuno. Não ele em pessoa, veja bem. Um ator o interpretando.
Pérola tem a permissão de seu pai para dar umas nadadas na superfície do mar, quando dá de cara com o marinheiro principezinho Andrew, e logo cai de quatro pelo galã. Ela então faz um pacto com a bruxa do mar para ganhar pernas e viver com seu amado, mas em troca perde sua fala. Uma mulher linda e muda?? O que mais eu poderia querer???
Brincadeira, mulheres. Adoro vozes. Ouço-as direto na minha cabeça.
O legal é que aqui nada cai no clichê e no bidimensional. A relação de Pérola, Andrew e Emilia, sua noiva, é muito bem desenvolvida e divertida, e não espere nada previsível em uma série infantil com relação ao final, muito próximo da história original.
E a Pérola é uma deliciiiinha, ai...ai... Depois que vi esse episódio, Ariel nada mais significou para mim (é ver pra crer, macharada).

A Rainha da Neve


Esse é sensacional. Em algum lugar distante, os amigos Gerda e Kay vivem felizes e contentes brincando de gato mia e “e agora, doutor?” quando, de repente, o rapazote é enfeitiçado por um duende zombeteiro que vive no espaço navegando em seu laboratório ambulante em forma de embarção (Égua!). O menino então começa a agir estranhamente, deixando os sentimentos cada vez mais de lado e indo viver no castelo da Rainha da Neve, que fica lá nos cafundós do Judas. Gerda então parte em uma jornada para encontrar seu querido miguxo, pois aparentemente é a única capaz de quebra o feitiço para assim ambos voltarem a brincar de médico ginecologista para toda a eternidade. Ah, a inocência juvenil...
Esse é um dos mais lembrados e emblemáticos episódios. É também um dos meus favoritos, talvez o que eu mais goste. A história é muito bonita, o roteiro bem trabalhado e os cenários são dos mais deslumbrantes.

Por hoje é só. Essa série me cativou tanto que a matéria sobre ela não vai parar por aqui. Bom... na verdade vai. Mas em um post futuro vou analisar um dos episódios. Mas não sei ainda qual e nem quando (vai demorar, presumo).

Até semana que vem! Abssssssss



15 comentários:

  1. Oi Bruno!]
    Simplesmente fiquei encantada por voc~e mencionar esse programa! Essa obra prima1 Tem muitas informações aí que eu nem sabia! Por exemplo...tendo como base o programa, eu não lembrei que a Duval fosse a do Iluminado! Só lembrava dessa atriz por conta do filme e realmente não fiz a conexão até porque mal lembro do rosto dos atores desse programa dos Contos! Que dá hora!
    Agora...eu quase surtei quando descobri que o Lobo Mau era o Malcom McDowell!!! Caramba!!!
    E até a Susan Saradon, o Mathew Broderick....realmente, preciso encontrar todos os capítulos desse programa para baixar e assistir!
    Sobre os capítulos citados. o que me lembro melhor é o da Pequena Sereia....mas aquele do Menino no Castelo Assombrado era exatamente o que me dava mais medo! O do flautista era muito bom também e o da Rainha da Neve é meu preferido! Fiquei conhecendo essa lenda fantástica através desse programa, desse episódio...e muitos anos depois encontrei dois filmes baseados nessa obra...um deles é uma nova adaptação que ficou excelente chamado Rainha das Estações.
    Sim, eu sou uma coisa moldada na década de 90 pela programação da TV Cultura! Parabens por mencionar esse clássico!
    AHSHASHA bom, Jigouko Shoujo é uma série até atual mas eu espero que você aguarde o artigo que farei da obra antes de vê-la..porque a série consegue ser um pouco exausticva por ter capítulos semelhantes um do outro. Já estou correndo ver seu artigo dos Contos de Fadas!
    bjs

    ResponderExcluir
  2. Cacete cara, adorava essa série, principalmente pelas releituras criativas que ela apresentava! Devorei seu post, muito bom mesmo.

    Poxa, e pelo jeito não era só eu que tinha medo de uns episódios, como o do rouxinol por exemplo. E puts, adorava o do Pinocchio e dos três porquinhos! Até hoje lembro deles falando "Não, Não, Não, pelas barbas do meu queixo!".

    Valeu por ter escrito isso!

    Há braços.

    ResponderExcluir
  3. Oi Tsu!! A Rainha da Neve é meu favorito também, embora eu goste de quase todos! Tô sabendo dos filmes sobre o contos, mas não cheguei a vê-los. E quando descobri q o lobo era o Macdowel também fiquei embasbacado! heuhehe, ele ta irreconhecível mesmo. Obrigado pelos elogios, fico feliz que tenha gostado do post! bjss

    Fala Pedro!! Eu nem mencionei essse do Roxinol, mas é muito bom também! Era um dos que eu mais me lembrava antes de rever a serie.
    "Não, Não, Não, pelas barbas do meu queixo!". HAUHAUA, essa frase é classica (ok, nao é. Mas é legal mesmo assim) XP Abraçoss

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bruno seu lindo, aqui é o Pedro, em breveles estou de volta com um novo blog

      Há braços

      Excluir
  4. Nossa, adorei o post! Super informativo, e o programa parece ser bem divertido. Procurarei alguns vídeos de certeza =D

    Keep writing, man

    E obrigado pela visita ao Fim do Universo ^^

    ResponderExcluir
  5. Valew José! Continuarei escrevendo XD
    Abraçoss

    ResponderExcluir
  6. Nossa, tenho uma lembrança muuuuito vaga dessa série, mas tenho certeza que assisti. Se alguém me falasse o nome, nunca ia lembrar. O que reativou minha memória foram as fotos que você postou, porque eu tinha medo de alguns episódios ("medo" não é bem a palavra, mas eu achava-os bem sinistros)! xP~~

    ResponderExcluir
  7. Bruno; mas que post completo! Como todos os outros que você posta aqui no seu blog. Sempre gostei muito do trabalho de Duvall. Ela fez ótimos filmes, contracenou com excelentes atores e nos presenteou com esses contos; que eu assistia sempre HAHA.

    Pura nostalgia.
    Excelente post!

    ResponderExcluir
  8. Rubiiiii!!! Que bom q gostou:) Também sou fã da Duvall. Obrigado pelos elogios, volte sempre.
    bjss

    ResponderExcluir
  9. Putz eu também adorava .. lembro-me que todas as tardes de sabado deitava com minha mãe e minha irmã pra assistir, mesmo até quando começou a reprizar assistiamos, e viviamos aquela história tão incrivel..
    aiai como era bom. #Saudades

    Parabéns viu, adorei o POST.. o mais completo de todos.

    ResponderExcluir
  10. Hahhaah lembro desse tempo a fome tava na rua e tava todo mundo tentando entender a tarde.

    ResponderExcluir
  11. Nostalgia me faz mal, só de lembrar de Mundo da Lua e Anos Incríveis já fico meio abalado.

    Muito boa essa matéria. Não sabia que havia tantas estrelas envolvidas no projeto, sempre achei aquele lobo meio psicopata e o episódio de João e Maria era sádico.

    Ri bastante com seu texto, provavelmente se escrito por outra pessoa ficaria sem graça. Parabéns.

    ResponderExcluir
  12. http://oficialteatrodoscontosdefadas.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  13. Amo todos os episódios. Confesso que não assisti na minha infância, mas sim depois dos meus vinte anos, via principalmente programas da TV globo e SBT, como eu me sinto triste em não ver os programas da Cultura.

    ResponderExcluir
  14. muito bom seu post,assistia muito e sonhava com aqueles lugres magicos,hoje passo pra minha filha !

    ResponderExcluir

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...